Por Kleber Karpov
O Tribunal do Júri de Planaltina condenou, na noite de sábado (18/Abr), cinco réus pelo assassinato de dez membros da mesma família, no caso que ficou conhecido como a maior chacina da história do Distrito Federal. Os crimes, ocorridos entre o final de dezembro de 2022 e meados de janeiro de 2023, foram motivados pela tentativa de tomar posse de uma chácara no Paranoá, avaliada em R$ 2 milhões. As penas somadas ultrapassam 1.200 anos de prisão.
Quatro dos cinco réus receberam sentenças de reclusão em regime fechado. Gideon Batista de Menezes foi condenado a 397 anos, oito meses e quatro dias. Carlomam dos Santos Nogueira recebeu uma pena de 351 anos, um mês e quatro dias. Já Horácio Carlos Ferreira Barbosa foi sentenciado a 300 anos, seis meses e dois dias. Por fim, Fabrício Silva Canhedo foi condenado a 202 anos, seis meses e 28 dias.
As condenações, proferidas por um conselho de sentença com sete jurados, abrangeram múltiplos crimes. Entre eles estão homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro com resultado morte, roubo, ocultação e destruição de cadáveres, sequestro, associação criminosa armada e corrupção de menor.
O quinto réu, Carlos Henrique Alves da Silva, recebeu uma pena de dois anos de reclusão pelo crime de cárcere privado. Ele foi o único que deverá cumprir a sentença em regime semiaberto, com autorização para trabalhar ou estudar fora da unidade prisional durante o dia.
Motivação do crime e as vítimas
Conforme a denúncia, a motivação do grupo era assumir a propriedade de uma chácara. Os criminosos acreditavam que, ao eliminar toda a família, poderiam tomar o imóvel, avaliado à época em R$ 2 milhões, para revendê-lo.
Dez pessoas foram mortas na chacina. As vítimas foram a cabeleireira Elizamar Silva, 39 anos, seu marido, Thiago Gabriel Belchior, 30, e os três filhos do casal: os gêmeos Rafael e Rafaela da Silva, de 6 anos, e Gabriel da Silva, de 7 anos.
Também foram assassinados os pais de Thiago, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54, e Renata Juliene Belchior, 52, além da irmã dele, Gabriela Belchior, 25. A ex-mulher de Marcos Antônio, Cláudia Regina Marques de Oliveira, 54, e a filha do casal, Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19, completam a lista de vítimas.
O julgamento
O julgamento dos cinco acusados estendeu-se por seis dias e contou com a participação de 18 testemunhas. Ao final dos trabalhos, o juiz Taciano Vogado Rodrigues Junior, que presidiu o caso, afirmou aos familiares que “a Justiça entregou, nos limites constitucionais do processo penal, a resposta que lhe cabia, sem ignorar a dimensão irreparável da dor vivida pelas famílias”. Os réus condenados e presos têm o direito de recorrer da sentença.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











