Michele Bolsonaro deve disputar Presidência da República contra Lula

Crise com Banco Master e manobras 'diplomáticas' nos EUA, gera derretimento de pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se torna insustentável aos olhos do 'mercado'. Desejos de Jair pode ser confrontado em convenção do PL e emplacar Michele como candidata ao Palácio do Planalto

Por Kleber Karpov

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República em 2026 a cada dia se torna politicamente insustentável, algo que pode forçar o Partido Liberal (PL) a rearticular a estratégia e projetar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, então pré-candidata ao Senado pela Legenda, como principal alternativa viável a disputa à corrida presidencial. A mudança de rota ocorre em meio a uma crise multidimensional que envolve o suposto elo do com uma fraude bilionária no Banco Master, o financiamento obscuro do ‘Dark Horse‘ um filme sobre o ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL/RJ), e uma desastrosa articulação diplomática nos Estados Unidos que resultou em novas ameaças de sanções econômicas contra o Brasil.

A confluência dos escândalos, que incluem investigações sobre lavagem de dinheiro transnacional e corrupção, alienou o mercado financeiro, consolidou inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF) e até mesmo na Polícia Civil de São Paulo (PCSP), provocada pelo Ministério Público de SP (MPSP). Diante do colapso da viabilidade, em meio a crise em que o Zero Um, como é chamado pelo progenitor foi diretamente responsável por amplificar a inviabilidade da própria candidatura, a cúpula do PL, liderada por Valdemar Costa Neto, dá um ‘empurrãozinho’, por exemplo ao revelar que Flávio Bolsonaro se encontro com o ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, em prisão domiciliar, para “cobrar dinheiro”, em alusão aos R$ 61 milhões, que havia pedido por pedido anteriormente por mensagem no Whatsapp. O PL que em ao revelar a façanha em entrevista à GloboNews classificou o episódio como “normal”, discreta e sutilmente pode estar a articular a ascensão de Michelle como a única opção capaz de manter a coesão da base conservadora e evangélica para a disputa presidencial.

A conexão com o Banco Master

A crise se aprofundou com a revelação da relação entre Flávio Bolsonaro com Vorcaro, porque o ex-presidente do Master é apontado como o arquiteto de uma fraude estimada em R$ 41 bilhões, que resultou no maior resgate já realizado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) indicam que o banco operava um esquema de pirâmide financeira, utilizando empresas de fachada para emitir créditos fictícios.

Dado o contexto, a visita de Flávio Bolsonaro, à Vorcaro na residência em São Paulo no início de novembro de 2025 para, nas palavras de Costa Neto, “tentar recuperar recursos do filme”, enquanto o banqueiro cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica acendeu o alerta vermelho no mundo político, além de resultar em pedidos de investigações contra o Zero Um. Sobretudo por ter negado, publicamente, qualquer envolvimento com o ex-banqueiro. Ser desmascarado semanas depois, por jornalista do The Intercept Brazil, quando voltou a negar proximidades com o “irmão”, ex-Master.

‘Dark Horse’, Cavalo de Tróia ao quadrado?

A candidatura de Zero Um “derreteu” pois as revelações obscuras colocaram “Dark Horse” no centro de investigações que indicam a possibilidade do filme servir como fachada para uma complexa operação de lavagem de dinheiro transnacional. Os R$ 61 milhões transferidos por Vorcaro foram remetidos para o fundo Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, controlado por Paulo Calixto, advogado de imigração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Algo que para a PF, pode representar indícios de recursos, oriundos da fraude bancária, usados para custear o padrão de vida, além das atividades de lobby de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra autoridades brasileiras. A apuração identificou a aquisição de uma residência em Arlington, Texas, avaliada entre US$ 708 mil e US$ 789 mil, por meio de uma estrutura jurídica chamada Mercury Legacy Trust, ligada a Calixto e operada por André Porciúncula, ex-secretário de Cultura e aliado da família.

Captação de recursos no Brasil

Paralelamente, a produtora do filme, Karina Ferreira da Gama, por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), é investigada por captar recursos públicos no Brasil. Entidade essa com laços estreitos com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor de ‘Dark Horse’, que negou mas também voltou atrás sobre ter recebido recursos de Vorcaro para custeio da obra cinematográfica, chegou a destinar emendas parlamentares de até R$ 2 milhões para um projeto educacional do ICB em Pirassununga (SP), que nunca foi executada. ONG essa, contemplada com um contrato de R$ 108 milhões, em licitação sem concorrência, com a Prefeitura de São Paulo para um projeto de Wi-Fi em comunidades, com suspeitas de desvio de verbas e uso ilegal de dados de usuários para fins eleitorais.

‘Efeito bumerangue’ da diplomacia

A derrocada política pode ter sido selada por uma manobra diplomática desastrosa. Em que para tentar se livrar do efeito ‘Dark Horse’ de Vorcaro, Flávio Bolsonaro se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump para tirar uma foto, e saiu com discurso de ter solicitado que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem classificadas como organizações terroristas.

Pedido esse, supostamente, prontamente atendido, muito embora especialistas indiquem que, ao sair da Casa Branca com pose de quem montou um alasão, Flavio Bolsonaro, na verdade, saiu a trotar de Éguinha Pocotó. Isso porque o Zero Um, ganhou um ‘discurso fácil’ de demandar o governo norteamericano, que na verdade colocou em prática um plano de tentar encostar o Brasil contra a parede. A administração Trump usou o pretexto da “insegurança institucional” do Brasil para ameaçar com um pacote de sanções econômicas. As retaliações miravam impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e atacar diretamente o sistema de pagamentos Pix, classificado como uma “barreira não tarifária injusta” que prejudicaria empresas americanas como Visa e Mastercard.

Medida essa, que teve um efeito contrário, na tentativa de alavancar o poder de influência de Flávio Bolsonaro, uma vez que tais sanções devem beneficiar o mercado financeiro e as bigtechs, nos EUA. Algo que internamente, faz com que a Faria Lima e o agronegócio, sejam diretamente afetadas com o impacto das taxações e afaste de vez com a possibilidade de o Zero Um ser o nome para os representar nas eleições presidenciais de 2026. O episódio, acabou por ser apelidado de “TariFlávio”, gerou forte repúdio do mercado financeiro e do setor produtivo.

A rearticulação do PL

Com a imagem de Flávio Bolsonaro irremediavelmente desgastada, a cúpula do PL, mesmo contra a vontade de Jair Bolsonaro, passou a trabalhar com o recuo de sua candidatura presidencial. A estratégia visa garantir que o Zero Um volte a disputar a vaga ao Senado em 2026. Medida essa que, dado o andar da carruagem, ou melhor, o trotar da Éguinha Pocotó, sinaliza ser o melhor caminho à manutenção do fôro por prerrogativa de função e se proteger do avanço de eventuais processos na primeira instância da Justiça.

Nesse cenário, Michelle Bolsonaro, que preside o PL Mulher e possui forte apelo junto ao eleitorado evangélico, volta a se consolidar como a solução de emergência. Nome, no que dependesse de Costa Neto, estaria a ser repercutido pelos quatro cantos do Brasil, não fosse a vontade de Jair, de tentar emplacar o Zero Um ao Palácio do Planalto. A inviabilidade de Flávio, cada vez mais evidente, discretamente força a PL a deixar a ex-primeira-dama de stand by para, ser aclamada nas convenções, como a candidata com maior potencial para unificar a direita e enfrentar a chapa de Lula, nas eleições.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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