Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (03/06/2026), que o Brasil buscará ativamente outros parceiros de negócios para neutralizar os impactos da nova política comercial anunciada pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, em Brasília, convocada em resposta à sugestão de taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras pelo governo norte-americano.
A medida foi proposta na segunda-feira, 1º de junho de 2026, pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A sugestão de tarifa é o resultado de uma investigação iniciada há um ano, durante o governo de Donald Trump, que apurava supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio bilateral.
Entre as justificativas apresentadas pela instituição norte-americana para a taxação, está a acusação de que o sistema de pagamentos instantâneos Pix prejudica empresas estadunidenses do setor, como as operadoras de cartão de crédito MasterCard e Visa, além do Whatsapp Pay.
Posicionamento do governo brasileiro
Em seu discurso aos ministros, o presidente Lula adotou um tom firme, defendendo a soberania nacional e criticando o que chamou de uma postura submissa do país no passado. “Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse.
O presidente brasileiro também reforçou a necessidade de uma postura altiva nas relações internacionais. “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.
Impactos e desdobramentos diplomáticos
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. O governo brasileiro e as empresas afetadas têm até o dia 15 de julho para se manifestar sobre o relatório do USTR, data a partir da qual as medidas podem ser implementadas.
Lula classificou a atitude como insensata, lembrando que havia um acordo com o presidente Donald Trump, firmado em maio, para um prazo de 30 dias de negociação. Na ocasião, em reunião na Casa Branca, o presidente brasileiro apresentou documentos que, segundo ele, comprovavam um superávit comercial de US$ 415 bilhões favorável aos EUA nos últimos 15 anos. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, afirmou.
Como resposta diplomática, o presidente anunciou que irá à reunião do G7 em junho, na França, a convite do presidente Emmanuel Macron, uma participação que não estava em seus planos. O objetivo, segundo ele, é defender o multilateralismo e o fortalecimento de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU).
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, declarou.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











