Por Kleber Karpov
O plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta segunda-feira (1º/Jun), uma sessão solene em comemoração ao Dia Mundial da Doação do Leite Materno. Proposta pelo deputado Jorge Vianna (Democrata), a iniciativa debateu a relevância da amamentação e o papel fundamental das doadoras para garantir a proteção imunológica de recém-nascidos que não podem ser alimentados por suas mães, destacando a escassez de doações como um desafio central.
Durante a abertura do evento, o deputado Jorge Vianna ressaltou que, embora o Brasil possua a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo, a falta de doadoras continua sendo um dos principais obstáculos. O parlamentar mencionou a realização do primeiro Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano no país no mês anterior como um marco dos avanços no setor. “Se puderem, doem. Se não puderem, apoiem as doadoras e divulguem as campanhas. O leite materno é um superalimento e, em muitos sentidos, insubstituível. Os bebês prematuros e de baixo peso, cuidados em UTIs neonatais, precisam desse leite. É uma questão de vida ou morte”, disse.
Vianna também informou que o processo de doação é simples, podendo ser realizado por qualquer mãe saudável com excesso de leite. Ele orientou as interessadas a buscarem informações no site Amamenta Brasília ou pelo telefone 160, na opção 4. Além disso, citou a Lei Distrital nº 7.711/2025, de sua autoria, que concede isenção na taxa de inscrição de concursos públicos do DF para doadoras de leite materno.
Benefícios para a saúde
A enfermeira do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Renata Haag, abordou os benefícios do aleitamento para a saúde da mulher, desmistificando receios comuns sobre alterações corporais. Segundo ela, a prática é um fator de proteção comprovado contra doenças. “A amamentação tem efeito protetivo e acumulativo contra o câncer de mama. Durante a amamentação ocorre o último estágio de maturação celular da mama, justamente um fator protetivo. Vamos amamentar para conseguir os benefícios para o binômio mãe-bebê”, afirmou Renata Haag.
A coordenadora da política de aleitamento materno da Secretaria de Saúde do DF, Maria das Graças Cruz Rodrigues, reforçou o tema da campanha deste ano: “Doação de Leite Humano: Solidariedade que nutre, vida que cresce”. Para ela, o ato transcende o aspecto biológico, representando uma escolha consciente de partilhar vida e esperança com outras famílias.
Alcance nacional e desafios logísticos
Renara Guedes, representante do Ministério da Saúde, apresentou dados que reforçam a urgência da causa. O Brasil registra uma taxa de prematuridade de 12%, o que equivale a aproximadamente 300 mil nascimentos prematuros por ano. “É para esses bebês que a rede trabalha tanto. É importante enfatizar que 300 ml de leite materno podem alimentar até 10 bebês por dia”, destacou.
A atuação da rede também foi lembrada por Mariana Palhares Temer, responsável técnica do Banco de Leite Humano do Hospital Anchieta. Ela citou a mobilização para doar leite ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024 e a exportação de tecnologia para países da África e América Central. Contudo, a chefe do Banco de Leite do Hospital de Brazlândia, Anne Oliveira Pereira, apontou os desafios logísticos para alcançar doadoras em áreas rurais e afastadas do DF e da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Ride).
“Lidamos com locais distantes, chácaras, zonas rurais, onde as doadoras não conseguem chegar e nós é que temos que chegar a elas. Existe essa dificuldade, mas, com mais divulgação nos municípios, alguns desses gargalos podem ser reduzidos”, explicou Pereira.
O relato de uma doadora recordista
A maior doadora de leite do Distrito Federal, Ana Paula Caetano Dias Anchieta, encerrou a solenidade compartilhando sua experiência pessoal. Após o nascimento prematuro de seu filho, com 25 semanas e 890 gramas, ela conseguiu produzir leite suficiente para alimentá-lo e para ajudar outros bebês na UTI neonatal.
“Manter essa produção foi muito difícil, sem o estímulo da boquinha do bebê. A gente venceu essa batalha, pois meu filho teve o leite garantido e consegui doar para os demais. Era lindo demais ver as outras mães felizes”, relembrou Ana Paula, que alertou para a necessidade de uso de fórmulas quando os estoques dos bancos de leite estão baixos. “Quem puder doar doe, porque doação é amor. Qualquer quantidade é importante”, finalizou.
Acompanhe a Sessão Solene
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Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










