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16 abr 2026 05:23

Notificações de Dort atingem número recorde no Distrito Federal

Registros da condição causada por esforço repetitivo saltam de 62 para 1.694 em quatro anos

Por Kleber Karpov

As notificações de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (Dort) atingiram um patamar recorde no Distrito Federal, acendendo um alerta sobre as condições de saúde dos trabalhadores. Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF), divulgados em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Dort, celebrado neste sábado (28/Fev), revelam um salto de 62 casos em 2022 para 1.694 em 2025. O aumento expressivo está ligado à repetição de movimentos e à falta de ergonomia nos ambientes profissionais, resultando em dores crônicas e debilitantes.

O crescimento no número de casos de Dort no DF foi exponencial ao longo dos últimos quatro anos. Conforme os registros da SES-DF, o volume de notificações passou de 62 em 2022 para 699 no ano seguinte. Em 2024, os diagnósticos continuaram a subir, chegando a 1.235, e atingiram o pico de 1.694 ocorrências em 2025, o maior já documentado na capital federal.

Quem está em risco

O distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho, também conhecido como lesão por esforço repetitivo (LER), afeta diretamente músculos, tendões, articulações e nervos. A condição é primariamente causada pela repetição contínua de movimentos, frequentemente combinada com posturas inadequadas e ausência de ergonomia no local de trabalho.

Os sintomas mais comuns incluem dor persistente, formigamento, dormência e sensação de peso. Rigidez, perda de força em membros como mãos e punhos, além de inchaço e inflamação, também são sinais de alerta para o desenvolvimento do quadro.

A fisioterapeuta do Hospital de Base do Distrito Federal, Ronara Mangaravite, explica que trabalhadores em funções administrativas ou que passam longos períodos na mesma posição são os mais vulneráveis. “As regiões do pescoço, costas e membros superiores já são naturalmente tensionadas para sustentar a cabeça e a coluna. Quando essa tensão se soma à falta de ergonomia, o risco de desenvolver o Dort aumenta”, afirma a especialista.

Prevenção e tratamento

A prevenção do Dort pode ser alcançada por meio de medidas simples incorporadas à rotina. A prática regular de atividades físicas, a realização de pausas estratégicas durante o expediente e ajustes ergonômicos na altura de cadeiras, mesas e monitores são cruciais. Manter apoio adequado para braços e costas também é fundamental.

“Se a pessoa passa 12 horas sentada na mesma posição, na frente de um computador, muitas vezes ela nem percebe que está inadequada. Essa repetição diária, ao longo de meses, pode lesionar qualquer pessoa”, disse Ronara Mangaravite.

Quando não tratado, o Dort pode evoluir para quadros mais graves como tendinites, rupturas musculares e dores crônicas. O tratamento usualmente envolve o uso de medicamentos, sessões de fisioterapia e exercícios de fortalecimento muscular. Casos mais severos podem necessitar de intervenção cirúrgica.

“O trabalho da fisioterapia é devolver a função para a pessoa e dar condições de trabalhar. Vamos desinflamar, alongar, fazer correções. Mas esse processo precisa ser associado a exercícios contínuos. Se a repetição voltar sem preparo, o Dort pode reaparecer”, explica Ronara Mangaravite.

Impacto na vida do trabalhador

A recepcionista Rosiane Matos de Sousa, diagnosticada com Dort há quatro meses, descreve a dor como “debilitante”. Ela passa a maior parte do dia em frente a um computador e compara a intensidade do sofrimento ao de um parto. “Eu tive três filhos de parto normal e essas dores são como se eu tivesse tido outros três. Quando ataca, eu não consigo me mover”, relata.

Para Rosiane, a fisioterapia tem sido um pilar no alívio das crises. Contudo, o retorno à rotina de trabalho frequentemente traz as dores de volta. “É o que mais me estabiliza. Sempre saio das sessões muito bem, mas quando volto a trabalhar, as dores reaparecem”, desabafa. A orientação médica é buscar ajuda especializada ao primeiro sinal de sintomas persistentes para evitar o agravamento da condição.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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