Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram nesta segunda-feira (15/Jun) uma carta aberta aos líderes das maiores economias do mundo. A iniciativa, ocorrida durante a cúpula do G7 na França, busca obter apoio para a conclusão do Acordo Global sobre Pandemias, por meio de uma mobilização diplomática liderada pelo Brasil, que atualmente preside as negociações de uma etapa essencial para a ratificação do tratado.
Na carta, os líderes alertam que o mundo precisa concluir o que foi iniciado em 2025 com a aprovação do acordo. O texto ressalta a urgência da medida, citando estimativas de cientistas que apontam quase uma chance em quatro de uma nova pandemia ocorrer na próxima década, e afirma que a preparação não pode esperar por uma nova crise sanitária global. “O mundo precisa terminar o que começou”, diz o texto ao ressaltar que “Fizemos uma promessa aos milhões que perdemos e às famílias que ainda sentem a sua falta. Que sejamos a geração que cumpre essa promessa”.
O impasse no acesso a patógenos e benefícios
O ponto central da negociação atual, presidida pelo Brasil, é o Anexo de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS). O objetivo é criar regras claras para que países compartilhem rapidamente informações sobre vírus e bactérias com potencial pandêmico, garantindo em troca o acesso equitativo a vacinas, medicamentos e testes desenvolvidos a partir desses dados.
Esta proposta busca corrigir uma das principais falhas observadas durante a pandemia de Covid-19, quando muitos países que contribuíram com dados e amostras biológicas enfrentaram dificuldades para acessar os produtos finais. A última rodada de negociações sobre o anexo, em maio, terminou sem um consenso, com a próxima rodada marcada para julho.
“O Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS, na sigla em inglês) baseia-se num acordo diálogo simples e justo: aqueles que partilham rapidamente patógenos com potencial pandêmico devem poder confiar que as vacinas e os tratamentos resultantes dessa partilha também chegarão às suas comunidades”, detalha a carta.
Articulação brasileira e o custo da inação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da articulação da carta, destacou que a conclusão do acordo é um passo estratégico para a segurança sanitária global. Segundo ele, a iniciativa visa evitar a repetição das desigualdades vistas na crise da Covid-19, que, segundo a OMS, resultou na perda de até 20 milhões de vidas e gerou prejuízos superiores a US$ 13 trilhões, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.
“Com essa carta, o Brasil e a OMS buscam evitar a repetição das desigualdades observadas durante a Covid-19. Concluir essa parte fundamental do acordo representa um passo estratégico para fortalecer a segurança sanitária global”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Padilha também expressou esperança de que a presença do presidente Lula na cúpula possa sensibilizar os líderes mundiais para a causa. “Esperamos que essa reunião do G7, com a presença do presidente Lula, possa sensibilizar os líderes mundiais”, disse.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.








