Governo federal deve garantir socorro a setores atingidos por tarifaço dos EUA

Segundo Alkmin, 18% do comércio entre os dois países deve ser impactado com taxações

Por Kleber Karpov

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16/Jul) que irá retomar um programa de apoio aos setores empresariais afetados pela imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A medida norte-americana, que passa a valer a partir de 22 de julho, foi justificada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base em supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil, alegações que o governo brasileiro rejeita.

A nova taxação impactará diretamente cerca de 2,4 mil empresas nacionais, que representam aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os EUA. Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o valor das transações afetadas chega a US$ 7,4 bilhões, com base em dados de 2024. Os setores mais atingidos incluem madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

Durante coletiva de imprensa em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o plano de socorro incluirá linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de apoio para o escoamento da produção para outros mercados. “O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, declarou o ministro.

Lei da Reciprocidade

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que esteve presente no anúncio, informou que o governo estuda a aplicação da Lei da Reciprocidade, aprovada no ano passado. A norma permite a suspensão de concessões comerciais em resposta a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade brasileira.

“Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, disse Alckmin, classificando o tarifaço como “injusto” e “descabido”.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também criticou a decisão norte-americana, tratando-a como uma interferência externa indevida. Segundo ele, as alegações dos EUA são falsas e não se baseiam em dados concretos. Durigan assegurou que a medida não afetará a estabilidade macroeconômica do país.

“É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, disse Dario Durigan.

Justificativas dos EUA rebatidas

A investigação do USTR, iniciada há um ano, cita diversas práticas brasileiras como justificativa para as tarifas, incluindo o sistema de pagamentos Pix, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o aumento do desmatamento. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu as críticas ao Pix, afirmando que o sistema não prejudicou empresas norte-americanas de cartão de crédito. “Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%”, explicou.

As alegações sobre o aumento do desmatamento e o comércio ilegal de madeira também foram contestadas. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou os dados como falsos e sem fundamento técnico. Ele destacou que, nos últimos três anos, houve uma redução de 50% no desmatamento na Amazônia.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

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