Saúde do DF avança na prevenção do câncer do colo do útero com a implantação do teste de DNA-HPV na rede pública

Exame mais moderno e preciso detecta 14 tipos de HPV de alto risco, reduz intervenções desnecessárias e fortalece diagnóstico precoce na Atenção Primária

Por Kleber Karpov

A rede pública de saúde do Distrito Federal iniciou a implementação do teste de DNA-HPV, um exame molecular mais sensível para o rastreamento do câncer do colo do útero. A tecnologia é capaz de detectar 14 genótipos (variações do vírus) do papilomavírus humano (HPV) associados a alto risco oncogênico, permitindo maior agilidade no diagnóstico precoce e no tratamento de lesões precursoras. O exame já está sendo realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Brazlândia, Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol, com ampliação gradual prevista para as demais regiões.

A coleta da amostra para o teste de DNA-HPV é feita de forma semelhante ao exame citopatológico convencional, conhecido como Papanicolau, com o uso de espátula e escova cervical. O material é então encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), onde passa por uma análise molecular via técnica de PCR para identificar o material genético do vírus.

O fluxo de atendimento varia conforme o resultado. Nos casos em que há detecção dos tipos HPV 16 ou 18, associados ao maior risco de câncer, a paciente é encaminhada para a realização de uma colposcopia (exame visual detalhado do colo do útero). Se outro tipo de HPV de alto risco é detectado, realiza-se um exame de citologia com a mesma amostra. Quando o resultado é negativo, a recomendação é repetir o exame somente após cinco anos.

Vantagens sobre o método convencional

A nova tecnologia apresenta maior sensibilidade diagnóstica em comparação ao Papanicolau, o que reduz a necessidade de exames complementares e intervenções desnecessárias. O enfermeiro Luiz Fabiano Barbosa destaca que o teste oferece mais precisão e rapidez. “Ele é um exame mais completo e mais preciso. A longo prazo, vejo que vamos conseguir detectar com mais rapidez e precisão os casos de câncer, o que vai permitir o início mais rápido do acompanhamento oncológico e o tratamento. É um grande avanço”, afirmou.

A gerente de Apoio à Saúde da Família, Simone Lacerda, explica que o exame citopatológico convencional gerava dúvidas sobre a periodicidade correta, levando muitas mulheres a repetirem o teste anualmente sem necessidade. “Com o teste de DNA-HPV, os protocolos de rastreamento tornam-se mais objetivos, organizados e padronizados, facilitando a compreensão tanto pelas usuárias quanto pelos profissionais de saúde”, pontuou.

Impacto no rastreamento

A possibilidade de ampliar o intervalo entre os exames para cinco anos, em caso de resultado negativo, proporciona mais conforto e segurança às pacientes. Letícia dos Santos, 42 anos, realizou a coleta durante um exame de rotina e aprovou a mudança. “O enfermeiro me explicou direitinho como funciona e eu achei ótimo. Agora, não vou precisar fazer o exame todo ano, vou poder fazer só daqui a cinco anos”, disse.

Estratégia de saúde pública

A incorporação do teste de DNA-HPV integra uma estratégia de enfrentamento ao câncer do colo do útero, baseada em três pilares: vacinação, rastreamento organizado e tratamento oportuno das lesões precursoras. A meta do DF é alcançar 90% de cobertura vacinal entre adolescentes até 2030 e garantir que 70% das mulheres entre 25 e 64 anos realizem o rastreamento periódico.

Simone Lacerda reforça que o objetivo final é avançar na eliminação da doença como problema de saúde pública. “O câncer do colo do útero ainda representa um importante problema de saúde pública, sendo um dos tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres brasileiras. Além disso, destaca-se por ser um dos tipos de câncer passíveis de prevenção e detecção precoce”, ressaltou.

 

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