Por Kleber Karpov
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) assumiu, a partir desta segunda-feira (1º/Jun), a gestão e a cobrança exclusiva dos débitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) inscritos em dívida ativa. A mudança centraliza a responsabilidade, que antes era compartilhada com a Caixa Econômica Federal. O processo envolve a migração de R$ 66,8 bilhões, referentes a 500 mil inscrições, para o sistema da procuradoria, com previsão de conclusão até o final de junho.
Com a transferência, todos os procedimentos relacionados a débitos do FGTS em dívida ativa, como consultas, renegociações e emissão de guias de pagamento, deverão ser realizados exclusivamente por meio do Regularize, o portal de serviços da PGFN. Os valores recuperados pela procuradoria serão creditados diretamente nas contas do FGTS dos trabalhadores beneficiados. A Caixa Econômica Federal continuará responsável pela gestão de débitos administrativos que ainda não foram inscritos em dívida ativa. A instituição também manterá a administração de parcelamentos já ativos e a emissão do Certificado de Regularidade do FGTS (CRF), documento essencial para as empresas.
Empregadores e trabalhadores
Os empregadores com débitos migrados para a PGFN terão um prazo máximo de 30 dias para realizar a individualização dos valores no portal Regularize. Este procedimento consiste em detalhar o montante devido a cada trabalhador. O não cumprimento dessa exigência pode resultar na impossibilidade de obter o CRF e na rescisão de acordos de negociação firmados com a procuradoria.
Segundo o procurador-geral adjunto da Dívida Ativa da União e do FGTS, Theo Lucas Borges, a alteração visa facilitar a regularização para os devedores e garantir o recebimento dos valores pelos trabalhadores. Borges anunciou que, a partir do próximo ano, a PGFN aumentará a transparência sobre os créditos. “Hoje, o trabalhador tem dificuldade em saber o que tem [a receber]. Vamos disponibilizar para que qualquer brasileiro veja se tem crédito de FGTS de sua titularidade e que está sendo cobrado pela PGFN”, disse Borges, em coletiva de imprensa ao observar que “E vamos notificar o trabalhador todas as vezes que recuperarmos crédito pertencente a ele”, acrescentou o procurador.
Estratégias de cobrança e resultados
A centralização da cobrança na PGFN tem como objetivo padronizar os fluxos de gestão e aplicar as mesmas tecnologias já utilizadas para a cobrança da dívida ativa da União. A procuradoria dispõe de mais de 30 formas de cobrança que agora serão aplicadas aos débitos do FGTS, incluindo protesto, penhora de bens e a proibição de que empresas devedoras contratem com o poder público.
“Com a mesma agilidade e tecnologia que a gente cobra os créditos fazendários, vamos cobrar os créditos fundiários, que pertencem ao trabalhador e estão inscritos na dívida ativa do fundo”, afirmou Borges. O procurador também reforçou que o direito do empregado de acionar o empregador na Justiça permanece inalterado. “Em qualquer cenário, vamos nos movimentar para fazer a cobrança, receber os valores e repassar para o empregado. Ele pode ir à Justiça, mas a PGFN tem uma quantidade de mecanismo de cobrança que a pessoa física não tem”, reforçou.
Em 2025, a PGFN recuperou R$ 66,1 bilhões em dívida ativa, dos quais R$ 1,9 bilhão corresponderam a débitos do FGTS. Nos dois primeiros meses de 2026, a recuperação de valores para os trabalhadores já alcançou R$ 142 milhões.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













