Por Kleber Karpov
Entre 20 de julho e 5 de agosto, os partidos políticos brasileiros realizam suas convenções partidárias, etapa decisiva do calendário eleitoral que define os candidatos a governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias. Nestas reuniões fechadas, que antecedem em três meses a ida de mais de 158 milhões de eleitores às urnas, são também formalizadas as alianças e determinada a distribuição dos fundos de campanha, moldando o cenário da disputa, uma vez que a legislação não permite candidaturas avulsas.
O funil estratégico dos partidos
Para Rafael Adílio dos Santos, professor do curso de Ciências Políticas da UNIASSELVI, as convenções funcionam como um filtro onde as legendas decidem quem disputará as eleições e com qual nível de apoio. A alocação de recursos do Fundo Eleitoral é um dos principais pontos definidos nesta fase.
“As convenções são uma espécie de funil. É nela que o partido decide quem está ‘dentro’ da disputa e qual o grau de importância de cada candidatura. Uma vez escolhidos os nomes e oficializadas as coligações na convenção, a direção do partido aplica os critérios de distribuição do Fundo Eleitoral, direcionando os maiores volumes de recursos para os candidatos que considera prioritários para a sobrevivência e crescimento da sigla”
As estratégias para estas escolhas são fundamentais. Segundo o especialista, a montagem da chapa para o Legislativo é uma decisão tão ou mais complexa que a escolha para o Executivo, pois garante a sustentabilidade financeira, jurídica e política da sigla a longo prazo.
“Definir os candidatos ao Legislativo nas convenções partidárias é uma decisão tão estratégica e, às vezes, até mais complexa do que a escolha do candidato ao Executivo. Embora o Executivo fique com os holofotes da ‘vitrine’ eleitoral, é a chapa do Legislativo que garante a sobrevivência financeira, jurídica e política de um partido a longo prazo”
Santos afirma que é a partir dessas definições que o cenário da disputa ganha contornos claros, convertendo especulações em candidaturas e alianças oficiais. O período revela recuos estratégicos e o fortalecimento de determinadas agremiações.
Alianças e o impacto das federações
Neste ano, o principal ponto de atenção para o eleitor está nas alianças. Com o fim das coligações para cargos proporcionais, como deputados, a estratégia migrou para as federações. Diferente de uma coligação temporária, a federação é um compromisso que obriga os partidos a atuarem como uma única sigla por, no mínimo, quatro anos.
Essa dinâmica, segundo o professor, altera profundamente o peso do voto para o Legislativo. O eleitor, ao escolher um candidato, apoia todo o bloco de partidos federados, que atuarão juntos durante todo o mandato.
“O eleitor precisa ter consciência de que, ao escolher um candidato a deputado ou vereador, ele está assinando um contrato de governabilidade com todo o bloco de partidos. Eles serão obrigados a caminhar juntos durante todo o mandato, tornando a afinidade ideológica com o grupo algo crucial”
A definição da chapa de deputados na convenção é, portanto, estratégica para garantir a governabilidade. Conforme conclui Santos, uma base parlamentar forte é essencial para que o governante eleito consiga aprovar leis e orçamentos, evitando o risco de paralisia política ou impeachment.
“Lançar uma chapa forte para o Legislativo serve para construir a sustentação que o eleito precisará para aprovar leis e orçamentos. Sem isso, o governo corre o risco de sofrer paralisia política ou até mesmo um impeachment”
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.
Eleições, convenções partidárias, federações, fundo eleitoral, governabilidade










