Pacientes oncológicos realizam manifestação, nesta quarta (25), contra fechamento de ala oncológica Rede Sarah Brasília

Sarah alega falta de recursos para manter unidade, porém, unidade paga salários que superam R$ 80 mil aos colaboradores

Por Kleber Karpov

Na manhã desta quinta-feira (24/Ago), os pacientes oncológicos, de câncer raro, realizam manifestação em frente a guarita do hospital Rede Sarah do Distrito Federal, contra o fechamento da ala oncológica da unidade hospitalar. O caso é cercado de controvérsias, que envolvem o descredenciamento da Rede Sarah, junto a Unidades de Assistência de Alta Complexidade (Unacom), e consequentemente a falta de recursos para manter os atendimentos.

O caso feio a tona após a enfermeira Ada Guimarães, de 33 anos, publicar um vídeo, que viralizou na rede social Instagram. Na condição de paciente da Rede Sarah, com um tipo de câncer raro há sete anos, a profissional de saúde questionou o fechamento da ala de atendimento a paciente oncológicos da unidade.

 

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Na ocasião, a Rede Sarah chegou a ‘desmentir’ Ada Guimarães, porém, outros pacientes, confirmaram, documentalmente, a versão da enfermeira. Inclusive com notificações em encaminhamentos, de pacientes a outras unidades de saúde, sob argumento de descontinuidade do tratamento naquele hospital. Caso esse abordado pelo portal Metrópoles (9/Jul) (Veja Aqui)

Fonte: Metrópoles

Ao Metrópoles, a Rede Sarah apontou atribuiu a responsabilidade do descredenciamento da Unacom, ao Ministério da Saúde (MS). Esse por sua vez, também refutou a versão em que, por meio de nota, deixou claro que tal pedido partiu do próprio hospital. Pedido esse homologado pela Secretária de Estado de Saúde do DF (SES-DF).

No entanto, a Rede Sarah, esclareceu que tal descredenciamento em nenhuma ocasião interfere na continuidade da assistência aos pacientes oncológicos. Porém, os pacientes da unidade relatam que, de acordo com os funcionários da Rede Sarah, novas admissões foram suspensas e, os que estão em atendimento podem ser impactados por restrições decorrentes da suspensão do serviço na unidade hospitalar. Sobretudo por conta de fatores a exemplo de realocação de colaboradores para outros setores e mudança de destinações de uso dos leitos.

Fonte: Metrópoles

Fonte: Metrópoles

Com a suspensão dos atendimentos, cerca de 300 pacientes, diagnosticados com cânceres raros, temem por ficar sem tratamento, uma vez que a Rede Sarah do Distrito Federal é a única unidade hospitalar do país a oferecer tais tratamentos.

Problemas

Mantida com verbas provenientes da União e de emendas parlamentares, nos últimos anos, a Rede Sarah se tornou alvo de uma série de denúncias, a grande maioria ligada a subutilização da estrutura, a exemplo do abandono de unidades, ou ainda quanto ao uso político do hospital, em detrimento da população.

Pandemia

Recentemente, a diretora-presidente da Rede Sarah, Lúcia Willadino, deu entrevista a um jornal renomado do Distrito Federal, por ocasião do início do recebimento de pacientes com Covid-19, para receber tratamento.

Porém, estranhamente, o que não foi mencionado na matéria que mesmo com a disponibilidade de 120 leitos, o hospital se negou a receber pacientes com Covid-19, conforme matéria publicada pelo Jornal de Brasília (Veja Aqui) e somente após intervenção de deputados, a exemplo do distrital, João Cardoso (Avante), da SES-DF, dos ministérios públicos Federal (MPF) e do DF e Territórios (MPDFT), foi criado as condições para o recebimento de tais pacientes.

Falta de recursos?

Se por um lado, faltam recursos para manter alguns dos serviços oferecidos pela Rede Sarah, por outro, os salários praticados pelo hospital são de causar inveja ao teto salarial de muitos servidores médicos da rede pública de saúde.

Ao menos é o que demonstram, uma Tabela Salarial de 2017 e trecho da “Base de Dados Recursos Humanos Tabela Salarial Rede Sarah”, a que PD teve acesso, ao questionarem o contraponto da subutilização das unidades de saúde com os altos salários praticados pelo Serviço Social Autônomo (SSA).

Petição online

Enquanto fica o impasse em relação a garantia de atendimento ao tratamento do câncer, uma alternativa aos pacientes foi recorrer a petição online (Veja Aqui), para tentar garantir a manutenção do tratamento.

No documento, os requerentes ponderam: “Em média mais de 300 pacientes com CÂNCER RARO irão ficar sem acesso e direito a VIDA! NÃO HÁ EM nenhum outro lugar do Brasil outro centro de referência pra tratar câncer ósseo, cerebral e mieloma.
O desligamento do programa de oncologia do hospital SARAH afetará a vida de milhares de pacientes e familiares e precisamos , levar esse protesto de direito a vida.
Ministério da Saúde, através do relatório da CGU cancelou contrato com SARAH. ISSO NAO PODE ACONTECER.”.

Reaja

Para compreender a dimensão e a importância da continuidade do programa, ninguém melhor que um paciente da Rede Sarah, para relatar a experiência de ter garantido o atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), na Rede Sarah, e o medo que tal oferta seja suspensa em definitivo.

confira o relato publicado no Instagram, pela paciente Kerrya, curada de osteossarcoma no fêmur com metástases pulmonares aos 12 anos, que reagiu ao tomar conhecimento da suspensão dos atendimentos.

 

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