Por Kleber Karpov
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (04/Ago), a Operação Rede Interrompida para investigar um grupo suspeito de planejar ações violentas em Brasília durante o período eleitoral de 2026. Oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, foram alvo de mandados de busca e apreensão em cinco estados. A apuração teve início em junho, após o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) monitorar conversas em grupos da plataforma Telegram onde eram compartilhados manuais para fabricação de explosivos e discutidos planos de ataques a prédios públicos.
A investigação começou a partir de um relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), que identificou as discussões em grupos abertos no Telegram. Os suspeitos planejavam atos como invasões a prédios na Esplanada dos Ministérios e no Supremo Tribunal Federal, além de um atentado a bomba durante debates eleitorais. Segundo a apuração, não havia menção direta a autoridades nas mensagens.
A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. As diligências visam esclarecer o nível de organização do grupo e o andamento dos planos discutidos. O inquérito apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo, não sendo enquadrado, até o momento, na Lei de Terrorismo.
Em entrevista coletiva, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, afirmou que a apuração não se tratava de meras opiniões. “[Houve] sim a própria intolerância e planejamento de atos severos de violência. Por isso, havia a necessidade de uma atuação rápida e integrada para que não tivesse a possibilidade de ocorrer qualquer sinistro.”
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, ressaltou o papel do Ciberlab na produção de inteligência. “O Ministério da Justiça e Segurança Pública cumpriu seu papel de articulador nacional, promovendo a cooperação interfederativa, compartilhando informações estratégicas e coordenando esforços para que a União e os estados atuassem como um único sistema de proteção da sociedade.”
Material apreendido
Durante a operação, que contou com o apoio das polícias civis dos cinco estados, foram apreendidos manuais para fabricar explosivos, mapas da região central de Brasília e a planta baixa do Palácio do Planalto. O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, informou que esses locais eram classificados pelos investigados como alvos primários e destacou a importância da ação preventiva. “Destaco a proteção dos cidadãos, das autoridades, do patrimônio público e do patrimônio particular de Brasília e do Distrito Federal, que sempre aparece como alvo e destino dessas tentativas e práticas violentas”, listou o delegado-geral.
Perfil dos investigados
Os oito investigados são jovens com idades entre 19 e 31 anos, com predominância da faixa de 19 a 25 anos. De acordo com o coordenador de inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho, nenhum deles possui antecedentes criminais e os membros não se conhecem pessoalmente, apenas pela internet. Coelho também explicou que, neste primeiro momento, “a investigação optou por não pedir a prisão dos investigados”.
Disseminação de discurso de ódio
As investigações revelaram que, além do planejamento de atos violentos, os grupos no Telegram eram utilizados para recrutar novos integrantes e disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, comentou sobre o desafio de combater o ódio e a aversão às mulheres nas redes sociais.
Ela mencionou o Pacto Brasil contra o Feminicídio, que une os três Poderes, e detalhou a Estratégia Nacional Mulher Segura. “O Sistema Integrado Mulher Segura fortalece uma atuação com inteligência e estratégia no âmbito das unidades federativas. As duas operações de hoje nos dão a dimensão da importância desse trabalho integrado das polícias”, concluiu a secretária Sheila de Carvalho.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;












