Por Kleber Karpov
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19/6), a Operação Juro Zero para apurar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal. A ação cumpre 50 mandados de busca e apreensão no DF, em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP), tendo como alvos o Banco de Brasília (BRB), a empresa PicPay, órgãos do GDF e atuais e ex-dirigentes, como o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que já se encontra preso.
As investigações miram irregularidades em operações de crédito consignado. De acordo com uma inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o banco digital PicPay estaria realizando descontos irregulares nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do GDF. Os valores seriam referentes a um serviço de antecipação de salário, ofertado a partir de um contrato firmado com a Secretaria de Economia do DF em setembro de 2024.
O TCDF identificou um crescimento acentuado nos descontos. Em 2024, as consignações somaram R$ 11,7 milhões, saltando para R$ 70 milhões entre janeiro e agosto de 2025. O total descontado pelo PicPay nos salários dos servidores atingiu R$ 81,7 milhões no período. Em fevereiro, a Corte de Contas já havia determinado a suspensão de novos descontos vinculados à empresa após constatar irregularidades.
Segundo o apurado, o PicPay era o único habilitado para realizar o desconto compulsório na folha de pagamento do GDF, operação que era processada diretamente pela BRB Serviços, uma subsidiária do Banco de Brasília.
Outras frentes de investigação
Uma segunda linha de apuração do MPDFT foca nas consignações facultativas em favor da Associação dos Servidores Públicos do DF (ASDF). Os descontos para a entidade cresceram de R$ 3 mil, em 2023, para R$ 1,49 milhão em 2025, um aumento de 48.000%, volume considerado incompatível com a estrutura da associação.
Os investigadores apontam que o esquema utilizava códigos de “plano de saúde” para mascarar empréstimos com juros, muitas vezes sem a autorização dos servidores. A fraude envolveria também a captação de senhas e tokens pessoais para inserir os descontos indevidos. Empresas como CBBRAZIL, PEAK e VEMCARD teriam operado sob a mesma arquitetura criminosa. “Os indícios reunidos apontam que o que se descortinou até o momento é apenas uma parcela ínfima das fraudes até então identificadas”, destacou o MPDFT em comunicado.
As buscas foram realizadas nas sedes do Banco de Brasília (BRB), da Secretaria de Economia do DF (SEEC) e do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), além das empresas PicPay, BRB Serviços S. A., Associação dos Servidores Públicos do DF (ASDF), JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda. (CBBRAZIL), Peak Sociedade de Empréstimo entre Pessoas S. A. E VemCard.
O que dizem os citados
Em nota, a Secretaria de Economia do DF confirmou a operação em sua sede e afirmou que está “colaborando integralmente com as autoridades”. A pasta esclareceu que “a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta”, referente a acordos firmados em período anterior.
O PicPay também se manifestou por nota, afirmando que “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida”. A empresa ressaltou que seus produtos são ofertados em conformidade com as normas e que seguirá colaborando com as autoridades. Os demais alvos ainda não se manifestaram.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










