Por Kleber Karpov
O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), apresentou nesta sexta-feira (27) a ampliação da plataforma DF 360. A iniciativa passa a contar com drones, câmeras com reconhecimento facial e de placas, além de modernizar os sistemas de atendimento 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros), com o objetivo de reforçar o monitoramento integrado e consolidar uma atuação mais proativa na segurança pública local.
Durante a apresentação, a vice-governadora Celina Leão apontou que a iniciativa tem o objetivo de incorporar o que há de mais moderno em sistemas de monitoramento. “Eu tenho certeza que isso vai ampliar a atuação da nossa segurança pública, trazendo mais efetividade e rapidez no atendimento, além de fortalecer a cooperação com os Conselhos Comunitários de Segurança, com as administrações regionais e com o trabalho de planejamento estratégico”, destacou.
“Agora, em parceria com a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde, pastas que precisam de uma atenção reforçada, vamos garantir que, na ponta, haja um sistema capaz de identificar, inclusive por meio de inteligência artificial (IA), ações de violência e de crimes. É isso que estamos apresentando hoje: um programa de integração com tecnologia embarcada voltado para a segurança pública e para dar mais agilidade aos atendimentos”, acrescentou Celina Leão.
Capacidade de monitoramento
Atualmente, a SSP-DF dispõe de 1.350 câmeras próprias, distribuídas nas 35 regiões administrativas. A rede é reforçada por mais de 250 câmeras parceiras que permitem o compartilhamento de imagens de estações do metrô, terminais rodoviários, unidades de saúde e áreas residenciais e comerciais.
A secretaria também conta com 50 licenças de software de inteligência artificial, que podem ser aplicadas a qualquer equipamento para auxiliar na identificação de situações suspeitas e no apoio à tomada de decisão. Está prevista, ainda, a instalação de mais mil câmeras em diferentes pontos do DF.
O monitoramento ocorre 24 horas por dia no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), com o apoio de centrais instaladas em batalhões da PMDF, grupamentos do Corpo de Bombeiros e delegacias da Polícia Civil.
Inteligência artificial
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, afirmou que as câmeras com tecnologia de reconhecimento facial se somam a um acordo firmado com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que permitirá acesso direto ao banco de dados de mandados de prisão em aberto. “No DF, além de não permitirmos a formação de novos criminosos, não vamos permitir que foragidos se escondam”, enfatizou.
De acordo com o secretário, no último ano, a pasta operou com apenas oito licenças de inteligência artificial em caráter experimental, recurso que contribuiu para mais de 30 prisões. Com a ampliação para 50 licenças, a tecnologia poderá ser aplicada às 1.350 câmeras próprias da SSP-DF e aos mais de 250 equipamentos de órgãos parceiros. “Se com oito licenças conseguimos mais de 30 prisões em um ano, com 50 poderemos avançar ainda mais”, reforçou.
Sobre os chamados prompts, comandos específicos usados para acionar a inteligência artificial, o secretário ressaltou que a ferramenta permite direcionar o monitoramento para situações estratégicas. Entre as aplicações estão a identificação de pessoas com mandado de prisão em aberto, a detecção de comportamentos suspeitos em áreas sensíveis ou a busca por características específicas cadastradas no sistema.
Atendimento ao cidadão
Os canais de emergência 190 e 193 passam a utilizar geolocalização de altíssima precisão via celular e encaminham automaticamente o protocolo de atendimento pelo WhatsApp. A rede integra sistemas como o Sinesp-CAD e aplicativos como Uber e RapidSOS, que permitem o recebimento automático da localização do veículo e dados do motorista e passageiro em situações de emergência.
O sistema também atende prioritariamente mulheres amparadas por medidas protetivas por meio do Projeto Viva-Flor. Nas ruas, os agentes contam com um módulo de consulta integrada que reúne dados de diversas bases em uma única interface, com checagem instantânea de veículos, antecedentes e identificação biométrica facial.
Segurança e proteção de dados
Todo o processo segue as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018). O tratamento das informações ocorre com finalidade legítima, voltada à segurança pública e ao cumprimento de dever legal, com acesso restrito a servidores autorizados e devidamente capacitados.
As imagens captadas pelas câmeras próprias da SSP-DF permanecem armazenadas por até 30 dias. Já as imagens de câmeras parceiras ficam disponíveis por até 72 horas, conforme os termos de cooperação firmados. Os parceiros não têm acesso às imagens de outros integrantes da rede, o que garante a segregação das informações.
Objetivos e critérios de expansão
A iniciativa é realizada de forma integrada entre as forças de segurança e mais de 30 órgãos do governo local e federal. O programa busca contribuir para a construção de ambientes mais seguros com os seguintes objetivos:
- Prevenir crimes e contravenções penais;
- Fortalecer os mecanismos de investigação criminal;
- Otimizar ações de manutenção da ordem pública e da incolumidade das pessoas, do patrimônio e do meio ambiente;
- Aperfeiçoar o controle do tráfego urbano;
- Auxiliar os serviços de emergência;
- Ampliar a vigilância ambiental;
- Apoiar ações de fiscalização dos órgãos e entidades vinculados ao Ciob;
- Apoiar ações da Defesa Civil.
Para orientar a expansão, o programa utiliza como critério central os relatórios de análise produzidos pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI), que identificam as chamadas “manchas criminais”. O planejamento também considera a relevância estratégica dos locais, a viabilidade técnica, sugestões das autoridades policiais e demandas de outros órgãos públicos e da comunidade.











