Por Kleber Karpov
Em coletiva de imprensa realizada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), na quinta-feira (16/Jul), o secretário, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, negou qualquer negligência nas mortes de duas gestantes ocorridas no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), ocorridas em um intervalo de três dias. Junior detalhou os atendimentos das grávidas Maria Graciana Andrade Alves, 36 anos, e Maria Aparecida Galdino dos Santos, 25 anons, e atribuiu os óbitos a complicações clínicas graves e inevitáveis. Casos esses sob investigação.
O caso de Maria Graciana
A primeira morte ocorreu na sexta-feira (10/Jul). Maria Graciana Andrade Alves, com 41 semanas de gestação, morreu durante o trabalho de parto no HRSam. A filha da paciente nasceu com vida e segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.
De acordo com Júnior, a paciente deu entrada na unidade no dia 09 de julho e consentiu com o protocolo de indução do parto. “A paciente deu entrada no Hospital Regional de Samambaia às 11h23 do dia 9 de julho. Após o atendimento médico, foi indicado todo o protocolo de indução do parto, com o consentimento da paciente e do acompanhante”, disse o Secretário.
Ainda segundo relato de Júnior, a paciente foi reavaliada por diversas vezes e, por volta de 1h da madrugada, Maria Graciana foi encaminhada para uma cesariana, mas apresentou um quadro de atonia uterina, uma condição que impede a contração do útero após a retirada do bebê. A complicação resultou em uma hemorragia severa. A equipe médica realizou manobras e uma histerectomia, mas o sangramento se agravou e a paciente morreu. “Eu quero dizer que essa paciente, em momento algum, foi negligenciada durante o seu atendimento”, afirmou.
A morte de Maria Aparecida
O segundo caso envolveu Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, que morreu na segunda-feira (13 de julho), após dar à luz. Familiares relataram que a jovem, com 38 semanas de gestação, procurou o hospital no dia anterior e solicitou uma cesariana, que não foi realizada pela equipe médica.
Em relação ao caso, Júnior afirmou que o parto de Maria Aparecida progrediu bem e a criança nasceu sem complicações. No entanto, no pós-parto, a paciente apresentou um sangramento nasal (epistaxe), o que levantou a suspeita de um distúrbio de coagulação.
“Nós tivemos uma hemorragia maciça dessa paciente. Ela foi novamente conduzida ao centro obstétrico para fazer a revisão do parto. Mas o que nós observamos, por meio dos exames laboratoriais, é que essa paciente apresentava, sim, um distúrbio de coagulação”, afirmou Júnior.
O chefe da pasta enfatizou que distúrbios de coagulação são de difícil reversão e que uma cesariana poderia ter agravado o quadro. “E eu tenho absoluta certeza de que tentaram de tudo mesmo, porque eu conversei com os médicos que fizeram esse atendimento”, concluiu.
Investigação
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga os dois casos, que também são acompanhados pelo Ministério da Saúde. A SES-DF informou que as equipes de plantão nos dias dos óbitos estavam completas e que todos os procedimentos serão analisados pelas autoridades competentes.
Posicionamento do governo
Na quarta-feira (15/Jul), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progresssitas), afirmou que determinou uma apuração rigorosa e que os casos são tratados como prioridade. Segundo ela, as imagens do sistema de monitoramento da rede pública serão disponibilizadas aos familiares das pacientes e aos responsáveis pelas investigações.
“Chamamos várias reuniões. O secretário de Saúde chamou toda a equipe, porque a gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. Estamos reforçando as nossas diretorias, as nossas chefias, trabalhando muito na humanização”, afirmou a governadora ao declarar que não haverá proteção a eventuais responsáveis por falhas durante os atendimentos. “Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, concluiu.
Contratações de médicos
Em entrevista coletiva, do secretário de Saúde, Juracy Lacerda Júnior e gestores da saúde do DF, Júnior anunciou que deve inicar contratações de médicos por contratos e Pessoa Jurídica (PJ), para atender as demandas das unidades da SES-DF.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.









