MPDFT atua para prevenir candidaturas fictícias e violência política de gênero nas eleições de 2026

Projeto "Lugar de mulher é na política" visa garantir que elas possam participar das eleições de forma segura, livre e em igualdade de oportunidades

Por Kleber Karpov

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) está atuando para prevenir as chamadas candidaturas fictícias e a violência política de gênero por meio do projeto “Lugar de mulher é na política: Juntos por eleições seguras!”. A iniciativa, promovida pelo Núcleo de Gênero (NG), pela Ouvidoria das Mulheres e pelas Promotorias de Justiça Eleitorais, realiza ações de prevenção, orientação e acolhimento ao longo de 2026 para assegurar que as mulheres possam participar do processo eleitoral de forma segura e com igualdade de oportunidades.

O combate às candidaturas ‘laranjas’

A legislação eleitoral brasileira avançou na proteção às candidaturas femininas, exigindo que os partidos preencham uma cota mínima de 30% de mulheres. No entanto, a prática de registrar candidatas apenas para cumprir a regra, sem oferecer apoio político, estrutura ou recursos financeiros, persiste. Conhecidas como “candidaturas laranja”, essas inscrições fictícias são consideradas uma fraude e uma forma de violência política de gênero.

Essa manobra impede que mulheres ocupem efetivamente espaços de decisão e esvazia o propósito das políticas afirmativas. A Emenda Constitucional nº 117/2022 determina que os partidos destinem no mínimo 5% do Fundo Partidário para programas de incentivo à participação feminina, além de garantir recursos e tempo de rádio e TV proporcionais ao número de candidatas. A Lei nº 14.192/2021 também estabelece mecanismos para enfrentar a violência política contra a mulher.

A promotora de justiça Isabella Chaves, coordenadora das Promotorias Eleitorais no MPDFT, destaca que o projeto também incentiva a fiscalização por parte da sociedade. “O MPDFT reforça que o combate às candidaturas fictícias é essencial para assegurar eleições mais justas, fortalecer a democracia e garantir que a presença das mulheres na política seja efetiva, e não apenas formal”, disse.

Indícios de fraude e precedentes na Justiça

A Justiça Eleitoral considera como indícios de candidaturas fictícias situações como votação zerada ou inexpressiva, ausência de atos de campanha, prestações de contas padronizadas e a promoção de outros candidatos em detrimento da própria campanha. A confirmação da fraude pode levar à cassação de mandatos dos beneficiados, anulação dos votos do partido e a declaração de inelegibilidade por oito anos para os envolvidos.

Um caso notório ocorreu nas eleições municipais de 2020 em Croatá (CE), onde um partido registrou três mulheres para cumprir a cota. Duas delas não receberam nenhum voto e a terceira obteve apenas um. A investigação revelou que não houve campanha efetiva, uma das candidatas promoveu o marido e as prestações de contas eram padronizadas, o que levou a Justiça Eleitoral a reconhecer a fraude.

Outro precedente foi estabelecido em Valença do Piauí (PI). No município, candidatas tiveram votações incompatíveis com uma disputa real, uma delas não compareceu para votar e outra usou suas redes sociais para apoiar a candidatura do marido. As prestações de contas quase idênticas reforçaram o entendimento de que as candidaturas serviram apenas para viabilizar o registro da chapa partidária.

“É preciso garantir que elas tenham condições reais de disputar eleições, exercer seus direitos políticos e participar dos espaços de poder sem enfrentar discriminação ou violência. Combater as candidaturas fictícias é um compromisso do MPDFT na proteção à cidadania das mulheres e ao fortalecimento da democracia”, afirmou a promotora de justiça Adalgiza Aguiar, coordenadora do NG.

Sub-representação e violência de gênero

Apesar de representarem mais de 51% da população brasileira, as mulheres continuam sendo minoria nos espaços de poder. Nas eleições de 2022 no Distrito Federal, 35% das candidaturas foram de mulheres, mas elas ocuparam apenas quatro das 24 cadeiras de deputados distritais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Essa disparidade está diretamente relacionada à violência política de gênero, definida como qualquer ação ou omissão que vise impedir, dificultar ou restringir os direitos políticos das mulheres. A violência pode se manifestar de diversas formas, incluindo psicológica, moral, simbólica, digital, física ou sexual.

A legislação prevê que tais condutas são crimes, com penas que podem variar de um a quatro anos de prisão, além de multa. As sanções podem ser agravadas se o ato for cometido pela internet ou contra mulheres gestantes, com deficiência ou maiores de 60 anos.

Conscientização e canais de denúncia

Em junho, o projeto foi tema do videocast “MP que a gente conta”, que debateu os desafios da participação feminina na política. O programa contou com a participação da promotora de justiça Isabela Chaves e da procuradora regional da República Raquel Branquinho, que abordaram temas como fraude às cotas e mecanismos de proteção legal.

Saber reconhecer a violência de gênero é fundamental para a proteção. Mulheres que são candidatas, filiadas a partidos ou eleitoras devem estar atentas aos sinais. Para que uma denúncia seja efetiva, é crucial preservar provas como registros de mensagens, links de conteúdos ofensivos e a identificação de testemunhas. Qualquer pessoa, e não apenas a vítima, pode denunciar. O MPDFT, por meio da Ouvidoria das Mulheres, possui canais próprios para receber, apurar e encaminhar as denúncias.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.

 

Justiça do DF manda Virginia Fonseca apagar publicidade irregular de bets

Por Kleber Karpov A Justiça do Distrito Federal determinou que...

PT aciona TSE contra fake news de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

Por Kleber Karpov A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil),...

Anvisa manda apreender lotes de azeite e doces; veja de quais marcas

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Ouvidoria do MPDFT capacita equipe do Disque 100 sobre violência policial

Por Kleber Karpov O ouvidor do Ministério Público do Distrito...

Frota de ambulâncias do DF passam a circular com sistema de câmeras e monitoramento

Por Kleber Karpov A frota de ambulâncias do Distrito Federal...

Destaques

Justiça do DF manda Virginia Fonseca apagar publicidade irregular de bets

Por Kleber Karpov A Justiça do Distrito Federal determinou que...

PT aciona TSE contra fake news de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

Por Kleber Karpov A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil),...

Anvisa manda apreender lotes de azeite e doces; veja de quais marcas

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Ouvidoria do MPDFT capacita equipe do Disque 100 sobre violência policial

Por Kleber Karpov O ouvidor do Ministério Público do Distrito...