Por Kleber Karpov
O Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9 de junho, colocou em evidência um desafio persistente na saúde pública brasileira: a baixa adesão à vacinação entre crianças maiores, adolescentes, adultos e idosos. Durante o Fórum Brasil Imune, realizado na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Brasília, especialistas debateram estratégias para ampliar a cobertura vacinal em todas as idades. Dados do Distrito Federal revelam que, enquanto três vacinas para bebês de até 4 meses superam a meta de 90%, a segunda dose contra a varicela, indicada aos 4 anos, registra apenas 67,2% de adesão.
As vacinas BCG, rotavírus e a primeira dose contra hepatite B, todas aplicadas nos primeiros meses de vida, atingiram cobertura acima da meta de 90% no Distrito Federal. No entanto, o cenário se inverte conforme a idade avança. Entre crianças de 10 anos, apenas 41,9% tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue, e somente 16% completaram o esquema de duas doses, cuja meta também é de 90%. Não há dados consolidados sobre vacinas para adultos, como as que protegem contra febre amarela, tétano e sarampo, mas a adesão à vacina contra influenza entre grupos prioritários adultos fica abaixo de 40%.
“Nós queremos envelhecer e envelhecer com saúde. A vacinação é importante para isso”, afirmou a gerente da Rede de Frio Central da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Tereza Luiza Pereira, ao destacar que os servidores têm sido treinados para verificar a situação vacinal de todos os responsáveis que acompanham crianças às salas de vacinação. “Se uma mãe, um pai, uma avó ou um avô leva uma criança para vacinar, também é importante verificar a situação vacinal do responsável”, esclareceu.
Estratégias para ampliar o acesso
O Fórum Brasil Imune também abordou a dificuldade das famílias em conciliar a rotina com a vacinação. “Nós não podemos aceitar ver o óbito de uma pessoa por uma doença para a qual temos vacina disponível”, disse a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Lely Guzman. Para superar essa barreira, a SES-DF tem investido em ações extra muros, com equipes atuando em feiras, shoppings, mercados e eventos. Iniciativas como o programa Saúde na Escola, parcerias com órgãos públicos e os Carros da Vacina complementam a estratégia itinerante.
Em maio de 2026, a SES-DF aplicou um milhão de vacinas, um aumento de 14,7% em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, foram 2,9 milhões de doses, cerca de 100 mil a mais que em 2024, quando o total foi de 2,8 milhões. A capital federal conta com mais de cem salas de vacinação fixas.
Vacinação de adolescentes e adultos
Adolescentes de 9 a 14 anos têm indicação prioritária para a vacina HPV, aplicada em dose única para prevenir infecções que podem causar câncer. Até 30 de junho, jovens de até 19 anos podem receber o imunizante, mas apenas 11,3% do público entre 15 e 19 anos aderiu à campanha. Para adultos, o calendário varia conforme a idade e o histórico individual. A vacina dT, contra tétano e difteria, exige reforço a cada dez anos. A tríplice viral é indicada até os 59 anos, com duas doses para quem tem entre 20 e 29 anos e uma dose para quem está entre 30 e 59 anos sem comprovação vacinal.
A hepatite B é recomendada para qualquer adulto não vacinado, independentemente da idade. Vacinas contra covid-19 e gripe seguem esquemas atualizados do Ministério da Saúde, especialmente para pessoas acima de 60 anos ou com condições de risco. Para se vacinar, é necessário apresentar documento de identidade com foto e, de preferência, a caderneta de vacinação. O atendimento pode ser feito em qualquer ponto, independentemente do local de residência.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











