Por Kleber Karpov
Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado em 27 de julho, especialistas alertam para a alta incidência de acidentes na construção civil, especialmente em pequenas obras e reformas. A preocupação é reforçada por dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que apontam que em 2025 houve um crescimento de 9% no número de acidentes de trabalho em comparação a 2024. A falta de uma cultura de prevenção e a informalidade do setor são apontadas como as principais causas para a negligência no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), cujo custo representa menos de 2% do valor de uma reforma.
O alerta sobre a segurança no trabalho é sustentado por estatísticas oficiais. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2025, houve um crescimento de 9% no número de acidentes de trabalho em relação ao ano anterior.
Em Goiás, o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) de 2024, elaborado pelo Ministério da Previdência Social, registrou 24.303 ocorrências no mesmo ano. Desse total, 64% foram acidentes típicos, como cortes, quedas e choques elétricos, enquanto 25% corresponderam a acidentes de trajeto e 1,6% a doenças de trabalho.
A cultura da informalidade
Embora grandes canteiros de obras sigam rotinas de segurança mais rígidas devido à fiscalização, a realidade em pequenas obras e reformas é diferente. Nesses ambientes, a atenção com a prevenção de acidentes graves é frequentemente negligenciada.
A gerente da loja Beira Mata da Rede da Construção, Tatiane Faria dos Santos, afirma que, apesar da procura por itens como óculos e botinas ser frequente, o movimento de conscientização ainda é pequeno e o problema é cultural. “A incidência de acidentes pela falta de uso de EPI é muito alta, especialmente na linha de frente. Isso ocorre por falta de informação de preocupação dos responsáveis e da alta informalidade da profissão”, explica a gestora.
Profissionais liberais na segurança
O engenheiro civil e de segurança do trabalho, Ricardo Ferreira, reforça a necessidade de estender a cultura de segurança aos profissionais liberais que atuam em obras menores. Ele destaca que o uso de equipamentos básicos é fundamental para evitar acidentes graves.
“O uso de luvas, cinto de segurança, óculos e capacetes podem prevenir acidentes que podem acontecer por um descuido e provocar uma cegueira, por exemplo. Os profissionais da área da construção precisam entender que é segurança individual e precisa ser levada a sério”, destaca o engenheiro.
Baixo custo dos equipamentos de proteção
Contrariando a ideia de que a segurança representa um custo elevado, Tatiane Faria ressalta que um kit básico de proteção tem baixo impacto no orçamento, correspondendo a menos de 2% do valor de uma reforma média.
De acordo com a Norma Regulamentadora NR-6, alguns itens são considerados essenciais independentemente do porte da obra. A lista inclui:
- Capacete: Proteção vital contra quedas de objetos e impactos.
- Botinas com biqueira: Evitam esmagamentos de dedos e perfurações por pregos.
- Luvas de proteção: Essenciais para manuseio de químicos (cimento) e materiais cortantes.
- Óculos de segurança: Protegem contra partículas volantes (estilhaços de cerâmica e madeira).
- Máscara respiratória: Filtra a poeira tóxica e vapores de tintas e solventes.
- Protetor de Coluna (Cinturão): Previne lesões crônicas por carregamento de peso, garantindo longevidade na carreira.
Sobre a data
O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado em 27 de julho, tem como objetivo conscientizar a sociedade, trabalhadores e empregadores sobre a importância de adotar medidas de segurança no ambiente profissional.
A data reforça a importância da prevenção, fiscalização, capacitação e do uso correto dos EPIs para evitar acidentes, doenças ocupacionais e mortes no trabalho.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.










