Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços

Relatório da Unaids aponta melhora global, mas alerta para queda de financiamento e aumento da discriminação

Por Kleber Karpov

As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram seus menores níveis globais em 2025, com 1,2 milhão de novos casos e 570 mil óbitos. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) no Rio de Janeiro, antes da 26ª Conferência Internacional de Aids. No entanto, a organização alerta que este avanço, que representa uma redução de 40% nas infecções desde 2010, está ameaçado pela queda no financiamento e pelo aumento da criminalização de populações vulneráveis.

Segundo Winnie Byanyima, diretora-executiva da Unaids, o fim da epidemia de aids é um feito alcançável, impulsionado por inovações como a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, capaz de prevenir a infecção por até seis meses. Contudo, ela ressalta que o acesso a essas tecnologias é crucial para transformar o potencial científico em realidade de saúde pública.

“Essa é uma das maiores oportunidades que nós temos de acabar com a epidemia. Mas avanços científicos isolados não vão acabar com a aids. Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça. Esses medicamentos continuam fora de alcance para a maioria das pessoas que precisam deles”, enfatizou Winnie Byanyima.

A Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisariam de acesso à PrEP injetável para que o mundo atinja a meta de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030. “A ciência fez o seu trabalho, agora, a política precisa fazer o dela. A pergunta não é mais se a gente consegue acabar com a aids, e, sim, se nós escolheremos acabar com a aids”, complementou a diretora-geral.

Queda de investimentos

Um dos principais obstáculos é a retração de recursos financeiros. Em 2025, os investimentos do Overseas Development Assistance (ODA), principal programa de assistência a países de baixa renda, caíram 23%. A queda afeta diretamente os programas de HIV, especialmente em nações africanas, onde a dependência desses fundos pode ultrapassar 90%.

A redução do financiamento não apenas limita a oferta de novas tecnologias, mas também compromete o tratamento de quem já vive com o vírus. Conforme o relatório, em 2025, uma em cada cinco pessoas com HIV no mundo não estava em tratamento. Entre as crianças, a proporção é ainda mais alarmante, chegando a quase metade.

Apesar do cenário global de melhora, 21 países, incluindo o Brasil, registraram aumento no número de novos casos. Em resposta, segundo a Unaids, o Brasil aumentou em 41% o acesso a medicamentos de prevenção.

Estigmatização

Outro ponto crítico destacado pela Unaids é o avanço da discriminação. Pela primeira vez, o número de países que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo aumentou em 2025, chegando a 66. A organização também identificou 14 nações que criminalizam pessoas trans, 168 que proíbem aspectos do trabalho sexual e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas.

Leis discriminatórias

Winnie Byanyima argumenta que essas leis criam um ambiente de medo que afasta as populações vulneráveis dos serviços de saúde, favorecendo a propagação do vírus. “Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação, o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta ao HIV”, destacou a diretora-executiva.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

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