Andre Mendonça afasta Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF por “Irregularidades e potenciais ilicitudes”

Maioria na Segunda Turma do STF confirma decisão de Mendonça, mas julgamento é suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes

Por Kleber Karpov

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8./Set) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A medida foi justificada por supostas “irregularidades e potenciais ilicitudes” em relatórios de inteligência e por um alegado monitoramento ilegal contra o próprio ministro. Em sessão extraordinária, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão, mas a análise foi suspensa por um pedido de vista do decano da Corte, ministro Gilmar Mendes.

Com o pedido de vista, a decisão ‘dedutária’ do Magistrado foi acompanhada pelos votos dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Com a suspensão do julgamento, dado o pedido de vista de Mendes, resta o voto do ministro Dias Toffoli que ainda não se manifestou. Até que ocorra a retomada da apreciação da decisão liminar de Mendonça se mantém vigente Rodrigues e Almada permanecem afastados das funções na PF.

Alegação de monitoramento ilegal

A principal motivação apresentada por Mendonça para a medida foi a alegação de estar a ser vigiado de forma ilícita pela Polícia Federal. Segundo o ministro, tal vigilância duraria por aproximadamente um mês. “Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, afirmou em trecho da sua decisão.

Com base em suposição, Mendonça classificou a produção dos relatórios de inteligência como um ato de “superlativa gravidade e ilicitude”. Além de argumentar que a remoção da cúpula da PF era uma providência imediata e necessária para proteger as prerrogativas da magistratura e de outras instituições.

“Irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do senhor Andrei Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, declarou Mendonça.

Conflito entre ministros

A crise foi deflagrada pelo uso de um relatório da PF pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar uma investigação contra Mendonça. Moraes acusa o colega de suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, além de favorecimento a grupos políticos em apurações sobre o Banco Master e fraudes no INSS.

A iniciativa de Moraes ocorreu dias após Mendonça ter tornado público um outro relatório da PF. Esse documento continha mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, e um contato atribuído a Moraes. Nas conversas, Vorcaro supostamente buscava obter informações e interferir nas investigações que resultaram em sua prisão em novembro de 2025.

Para fundamentar o pedido de investigação contra Mendonça, Moraes utilizou o inquérito das “fake news”, do qual é relator desde 2019. De acordo com o magistrado, Mendonça teria usurpado a direção de investigações policiais para direcionár contra alvos específicos por razões políticas, incluindo o próprio ministro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Apurações em curso teriam sido prejudicadas

Mendonça sustentou também que a divulgação dos relatórios pela PF comprometeu investigações sigilosas em andamento. Além de citar como exemplo uma operação pendente de autorização judicial que teria como alvos os dirigentes do partido União Brasil, ACM Neto e Antônio Rueda.

O ministro argumentou que a publicidade dada aos documentos frustrou a eficácia de futuras medidas cautelares. “Ao dar conhecimento desses elementos a outro relator e, a partir disso, divulgar-se publicamente essa ‘documentação’, revelou-se previamente aos potenciais alvos de medidas cautelares e instrutórias a sua potencial realização, frustrando completamente a sua eficácia e prejudicando efetivamente as investigações”, afirmou Mendonça.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

 

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