Por Kleber Karpov
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa nesta terça-feira (9) a decisão liminar do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa feita pela AtlasIntel em maio deste ano. A medida, tomada na segunda-feira (8), atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, e determinou a suspensão da divulgação, impulsionamento ou republicação do levantamento nos canais oficiais do instituto. Segundo apurou o Valor, a decisão deve enfrentar resistências de uma ala do plenário, ainda que minoritária, por ter sido concedida sem laudo técnico e pelo potencial prejuízo à credibilidade desse tipo de sondagem.
A pesquisa foi realizada após a revelação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O levantamento apontou uma queda de seis pontos percentuais na intenção de voto do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 41,8% das intenções contra 48,9% de Lula. O ministro Nunes Marques entendeu que há elementos que indicam possível indução para a contaminação das respostas, como a divulgação de áudio de investigação, e determinou a suspensão da pesquisa.
Na decisão assinada na segunda-feira (8), Nunes Marques afirmou que houve o possível “comprometimento da neutralidade metodológica” do questionário apresentado aos eleitores e indícios de que a pesquisa extrapolou “a simples aferição neutra da opinião pública”. O magistrado ainda deu dois dias para que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para responder aos questionamentos do PL. Após, o Ministério Público Eleitoral (MPE) terá um dia para se manifestar. O mérito da decisão ainda será analisado pelo plenário do TSE em outra sessão de julgamento.
Resistência no plenário
Como mostrou o Valor, o referendo da liminar de Nunes Marques poderá enfrentar alguma resistência no plenário. Alguns ministros ouvidos sob reserva criticaram a decisão, afirmando que a liminar não poderia ser concedida com caráter de urgência, uma vez que a pesquisa já circulou. Também afirmaram que eventuais ordens impedindo a circulação desses estudos só seriam possíveis acompanhadas de laudo técnico.
Outros ainda expressaram preocupação com possível impacto da liminar na confiança da população em pesquisas de intenção de votos e reflexos em outras sondagens. Segundo um deles, já há resistência quanto à higidez de sondagens, o que poderia ser alimentado por uma decisão como a dada por Nunes Marques. Apesar das críticas, ponderam que o presidente do TSE não teria dado a decisão se não tivesse adesão da maioria da corte eleitoral. Esses integrantes também afirmam que a decisão pode ser revertida futuramente no julgamento de mérito.
Questionamentos do PL
Os advogados do PL apontaram como problemáticas perguntas da AtlasIntel que associavam Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master e questionavam os efeitos políticos da divulgação das conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Uma questão apresentada ao entrevistado questionava qual grupo político estaria “mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master”, com respostas limitadas a aliados de Lula, aliados de Bolsonaro, Centrão, “todos” ou “não sei”. O questionário também perguntava se o eleitor havia tomado conhecimento do áudio e das mensagens vazadas atribuídas a Flávio e Vorcaro.
Defesa da AtlasIntel
Em nota, a AtlasIntel afirmou que a pesquisa divulgada em maio foi conduzida com “rigor técnico e científico” e que pauta seu trabalho pela “imparcialidade” e “precisão”. A empresa afirma que não houve indução dos entrevistados e sustenta que o questionário principal da pesquisa foi concluído integralmente antes de qualquer contato dos participantes com o áudio da conversa entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. “Após o encerramento definitivo do questionário — sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar respostas já registradas — os participantes eram redirecionados para uma página completamente separada do questionário, onde eram convidados a registrar suas reações enquanto ouviam o áudio por meio da ferramenta Atlas VRC”, afirmou.
Composição do TSE e próximos passos
O TSE é composto por sete ministros: três do STF (o presidente Nunes Marques, o vice André Mendonça e Dias Toffoli); dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) (Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Boas Cuêva); e dois juristas (Estela Aranha e Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto). Há dúvida sobre como deve se manifestar Dias Toffoli, que recentemente assumiu a vaga efetiva deixada pela ministra Cármen Lúcia. Toffoli foi citado no curso do escândalo do Master e chegou a se declarar suspeito de analisar processos sobre o banco que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). A interlocutores, Toffoli tem afirmado que está estudando o processo.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou no X (antigo Twitter) que “muitos tentaram atacar a reputação da AtlasIntel quando os resultados não convinham”. “A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo. A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou mais e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, afirmou.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













