Brasil condena ataques de EUA e Israel ao Irã. Ofensiva militar gera pânico e fuga de civis

Itamaraty pede contenção e respeito ao Direito Internacional enquanto população iraniana busca segurança

 Por Kleber Karpov 

O governo do Brasil condenou, neste sábado (28/Fev), os ataques militares realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) manifestou grave preocupação com os bombardeios, que ocorreram em meio a um processo de negociação sobre o programa nuclear iraniano e provocaram pânico generalizado e a fuga de civis em diversas cidades do país, incluindo a capital, Teerã.

O Itamaraty classificou a negociação como o único caminho viável para a paz, reforçando a posição tradicionalmente defendida pela diplomacia brasileira na região. O órgão apelou para que as partes envolvidas evitem uma escalada nas hostilidades.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, disse a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato com a comunidade brasileira para fornecer orientações de segurança. As demais embaixadas na região também monitoram os desdobramentos, com foco nos cidadãos brasileiros nos países afetados. O ministério recomendou que os brasileiros sigam as orientações das autoridades locais.

Ataques após retomada de negociações

Segundo a agência de notícias Reuters, Israel lançou o ataque no início da manhã de 28 de fevereiro, declarando estado de emergência “especial e imediato” em seu território. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a realização de “grandes operações de combate” no Irã, justificando a ação como necessária para “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano” e proteger o povo americano. O Pentágono denominou a ofensiva de “Operação Fúria Épica”.

A ação militar ocorreu apenas dois dias após Irã e Estados Unidos terem retomado, na quinta-feira (26 de fevereiro), as negociações em Genebra. O objetivo do diálogo era encontrar uma solução diplomática para a disputa sobre o programa nuclear iraniano, que países ocidentais suspeitam ter fins militares, acusação que Teerã nega.

Medo e pânico entre a população civil

Os ataques geraram pânico entre os iranianos. Testemunhas relataram longas filas em postos de gasolina, dificuldade para sacar dinheiro e um movimento de fuga das grandes cidades. Explosões foram registradas em Teerã, Tabriz e Isfahan. O principal órgão de segurança do Irã orientou a população a se deslocar para outras cidades, e escolas e universidades foram fechadas por tempo indeterminado.

“Estamos com medo, estamos apavorados. Meus filhos estão tremendo, não temos para onde ir, vamos morrer aqui. O que vai acontecer com meus filhos?”, disse Minou, mãe de dois filhos na cidade de Tabriz, em depoimento por telefone à Reuters.

As reações da população foram divididas. Um morador da cidade de Yazd expressou a esperança de que os bombardeios derrubem o regime clerical. Em contraste, Samira Mohebbi, da cidade de Rasht, afirmou ser contra o regime, mas também contra uma intervenção estrangeira. “Não quero que meu Irã se transforme no Iraque”, declarou.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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