Teleconsulta em UPAs do DF amplia atendimentos e reduz tempo de espera

Mais de 18,9 mil consultas por vídeo realizadas em menos de um ano; modelo atende casos de baixa complexidade e libera equipes para situações graves

Por Kleber Karpov

Mais de 18,9 mil atendimentos por teleconsulta foram realizados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal entre 13 de maio de 2025 e 25 de março deste ano. A iniciativa do Governo do Distrito Federal (GDF) é uma estratégia para agilizar o atendimento à população e reduzir o tempo de espera, direcionando pacientes classificados como de baixo risco para consultas por vídeo, enquanto as equipes presenciais se dedicam aos casos mais graves.

Atualmente, o serviço de teleconsulta está disponível em dez UPAs. As unidades de Vicente Pires, Gama, Ceilândia II, Samambaia, Paranoá e Brazlândia oferecem o serviço para adultos. O atendimento para crianças e adolescentes está concentrado no Recanto das Emas e em Sobradinho, enquanto as UPAs de Ceilândia I e São Sebastião contemplam todas as faixas etárias. O GDF planeja ampliar o modelo para as unidades do Núcleo Bandeirante e do Riacho Fundo nas próximas semanas.

A implementação do modelo remoto tem apresentado resultados positivos. Dados do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) indicam que a adesão entre pacientes de baixo risco é de aproximadamente 31,6%. Deste total, mais de 87% dos casos atendidos por vídeo são resolvidos sem a necessidade de encaminhamento para uma consulta presencial.

Estratégia para otimizar o sistema

A chefe do Núcleo de Inovação e Saúde Digital do IgesDF, Amandha Roberta, explica que a teleconsulta foi desenvolvida para lidar com a alta procura por UPAs em situações de menor gravidade. “A gente sabe que existe uma cultura de procurar a UPA mesmo para casos leves. Esses pacientes, classificados como verdes, acabavam aguardando por horas e, muitas vezes, desistiam do atendimento”, afirma.

Segundo a gestora, a falta de atendimento para esses casos pode agravar quadros clínicos e sobrecarregar o sistema. “O paciente com pulseira verde que não é atendido pode voltar depois com uma condição mais grave, sendo reclassificado como amarelo. Isso gera um consumo muito maior de recursos. Com a teleconsulta, conseguimos garantir o atendimento desses casos leves e liberar a equipe presencial para situações mais críticas”, destaca Amandha Roberta.

Funcionamento do atendimento remoto

Na prática, o paciente que chega à UPA passa pela triagem da equipe de enfermagem. Se for classificado como de baixo risco (pulseira verde) e seu quadro clínico permitir, ele tem a opção de ser atendido por teleconsulta. Após o consentimento formal, o paciente é encaminhado a uma sala específica na própria unidade, onde a consulta por vídeo com um médico da central remota é realizada.

Durante a chamada, um técnico de enfermagem acompanha o paciente para auxiliar com a tecnologia e no monitoramento clínico. Caso haja necessidade de medicação ou exames complementares, o profissional presta o suporte necessário dentro da própria UPA. A médica de família e comunidade Mônica Montenegro, que atua na central remota, relata que os principais atendimentos envolvem sintomas respiratórios leves, diarreia e lombalgia.

Diferença entre UBS e UPA

As UPAs funcionam 24 horas por dia para atender urgências e emergências de média gravidade, oferecendo exames laboratoriais, raio-x e medicação. Quando necessário, os pacientes são estabilizados e encaminhados para hospitais. Já as unidades básicas de saúde (UBSs) são a porta de entrada do sistema, focadas em prevenção, promoção da saúde e atendimento de casos não urgentes.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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