Senadores culpam o governo pela escalada de mortes na pandemia do Covid-19

Na quinta-feira (4), o Brasil superou a Itália e, com mais de 34 mil vítimas, tornou-se o terceiro país com mais registros oficiais de mortes causadas pela covid-19

Nesta quinta-feira (4) o Brasil se tornou o país com o terceiro maior número de mortes oficiais causadas pela covid-19 desde o início da pandemia. Foram 34.021 óbitos registrados até o final do dia, e a soma já passa de 34.200 nesta sexta (5), antes do levantamento final. As 1.492 mortes contabilizadas na quinta foram o maior total para um único dia desde o início da crise, e equivalem a mais de uma morte por minuto.

O Brasil acumula mais de 620 mil casos detectados de covid-19, sendo o segundo país com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, entre os dez países mais afetados pela pandemia, o Brasil está à frente apenas da Índia na proporção de testes realizados com a população.

Responsabilidade

Senadores de oposição apontam a negligência do governo federal como principal culpado pela curva crescente da pandemia no país. O líder do PT, Rogério Carvalho (SE), disse que o presidente Jair Bolsonaro tem enganado a população desde o início da crise global.

“Em março, Bolsonaro amenizava que seriam 800 vidas perdidas. O que já é alarmante, porque são vidas e não números. Só que agora é apavorante, porque a irresponsabilidade do presidente piorou”, escreveu o senador em uma rede social.

O senador Humberto Costa (PT-PE) acusou Bolsonaro de “negacionismo” por ter classificado a covid-19, no início, como uma “gripezinha”. Ele também lembrou que o governo não nomeou um ministro da Saúde em caráter permanente depois da saída do segundo ministro do cargo, Nelson Teich, em maio — o atual ocupante da pasta, Eduardo Pazuello, é interino.

“Bolsonaro não tem ministro da Saúde. O governo não tem plano de ação. Bolsonaro não é solidário com as vítimas. Bolsonaro só quer proteger sua família, e não é do vírus”, escreveu.

Argentina

O senador Fabiano Contarato (Rede-AP) comparou a situação do Brasil com a da Argentina. O país vizinho tem pouco mais de 600 mortes registradas, e realiza testes na população em proporção semelhante à do Brasil. Mas estabeleceu o isolamento social para frear a disseminação do vírus. São 20 mil casos no total.

“No Brasil de Bolsonaro, que boicota a quarentena e incita comportamentos temerários, já são mais 56 vezes mais [mortes]. Temos um genocida no Planalto”, acusou o senador.

Hidroxicloroquina

Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) ressaltou que os números oficializados na quinta-feira não dizem respeito a um único dia, mas são uma concentração estatística de mortes em datas variadas. Flávio, filho do presidente Jair Bolsonaro, replicou uma publicação que associa os casos fatais à indisponibilidade do tratamento com hidroxicloroquina, recomendado pelo governo federal para casos leves no final de maio.

“Mortes que talvez poderiam ter sido evitadas se todos tivessem acesso ao tratamento com HQC [hidroxicloroquina] logo no início dos sintomas”, afirmou o senador.

Aglomerações

Para o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo, o agravamento da pandemia em solo brasileiro deve servir para que os cidadãos levem mais a sério as medidas de isolamento social. Ele reforçou a importância de se evitar aglomerações e locais de grande circulação e de se ficar em casa sempre que possível.

— O momento não é fácil. O Ministério da Saúde tem que tomar providências muito mais fortes. É necessário que a sociedade esteja ciente de que este é um momento dificílimo. Enquanto a curva não for achatando até entrar num nível de normalidade, o país vai ficar nessa expectativa enorme – afirmou.

Fonte: Agência Senado

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