Semana de mobilização contra a tuberculose destaca diagnóstico e tratamento

Secretaria de Saúde atua na prevenção e acolhimento de pacientes para combater disseminação da doença

Por Kleber Karpov

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) promove, entre os dias 24 e 31 de março, a Semana de Mobilização e Luta contra a Tuberculose. A iniciativa visa reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para a doença, além de combater o estigma social associado a ela. A ação se alinha ao esforço nacional para que o Brasil atinja a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir a incidência da enfermidade.

Segundo informações da SES-DF, o Brasil busca reduzir a incidência da tuberculose para menos de dez casos por cem mil habitantes até 2030, conforme meta estabelecida pela OMS. Em 2024, o país registrou um índice de 39,7 casos para cada cem mil pessoas, com um total de 84,3 mil novas ocorrências. As regiões Norte (62,7) e Sudeste (43,4) apresentaram as taxas mais elevadas.

De acordo com a Pasta, no DF, a situação é mais controlada em comparação com a média nacional. A incidência em 2024 foi de 15 casos para cada cem mil habitantes. Naquele ano, foram notificados 447 novos casos da doença na capital federal, dos quais 366 eram da forma pulmonar, a mais comum.

Diagnóstico e tratamento

A tuberculose é causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis) e transmitida pelo ar através das vias respiratórias. Os sintomas mais frequentes incluem tosse persistente, emagrecimento sem causa aparente, cansaço e febre, principalmente no período da tarde. Estima-se que uma pessoa com a doença ativa e sem tratamento possa infectar de dez a 15 indivíduos em um ano.

A rede pública do DF conta com 178 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) preparadas para o acolhimento de casos suspeitos. Nesses locais são oferecidos exames para detecção e os medicamentos para o tratamento, que dura no mínimo seis meses. Situações de maior gravidade são direcionadas ao Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin), localizado na Asa Sul.

“O diagnóstico e o tratamento melhoraram muito. Hoje, o acesso aos serviços é mais amplo. Porém, é preciso que os profissionais não negligenciem a condição e atentem-se ao sinais”, afirma Kátia Palhano, supervisora do Cedin, que atua há 21 anos com pacientes de tuberculose.

Uma paciente de 58 anos, que prefere não se identificar, relatou a severidade dos sintomas antes de procurar auxílio médico. “Eu não conseguia nem andar, de tanto que tossia”, conta. Ela destaca a importância do acolhimento para a adesão ao tratamento. “Quando você é bem acolhida, consegue encarar”, completa a aposentada, que também enfrenta sequelas como a tuberculose ocular.

Prevenção e combate ao preconceito

A prevenção é um pilar fundamental no controle da doença. “Trabalhamos com a prevenção. Isso inclui uma vasta avaliação, como a de contatos próximos das pessoas com tuberculose, de forma a quebrar a cadeia de transmissão”, explica a enfermeira Julliane Mourão, do Cedin. A vacina BCG, aplicada em recém-nascidos, é outra medida crucial para evitar formas graves da enfermidade.

Kátia Palhano também ressalta que o estigma social é um obstáculo. Ela esclarece que, após o início do tratamento, os pacientes deixam de transmitir a doença, tornando o isolamento social injustificado. “Essas práticas reforçam o preconceito e resultam da falta de informação, criando estigmas sociais”, finaliza a especialista.

 




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.

 

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