Por Kleber Karpov
Um relatório da Polícia Federal (PF), no âmbito da segunda fase da Operação Sem Refino, aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido um conjunto de vantagens indevidas. Em troca, ele supostamente atuaria para beneficiar a refinaria Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos. As informações vieram a público na última quinta-feira (3), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do documento, que serviu de base para a expedição de 16 mandados de busca e apreensão. A defesa de Castro nega todas as acusações.
O documento policial detalha uma série de benefícios que teriam sido concedidos ao ex-governador. Entre eles, está uma encomenda de R$ 10,5 mil em caviar durante uma hospedagem no Hotel Emiliano, em São Paulo. O pagamento, segundo a PF, foi realizado pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, pertencente ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, apelidado de “Pipo” e apontado como articulador da lavagem de dinheiro do grupo.
A investigação também descreve o usufruto de uma mansão em Petrópolis, na região serrana fluminense. O imóvel estava registrado em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas, segundo a apuração, Castro agia como proprietário, definindo a rotina dos funcionários. No local, teria sido construída uma adega personalizada para o ex-governador, com custo estimado de R$ 245 mil. Esse benefício estaria ligado ao favorecimento da Enge Prat Engenharia, que firmou R$ 355 milhões em contratos com o governo estadual.
Outro ponto levantado pelos investigadores é o aluguel da cobertura onde Castro reside, na Barra da Tijuca. O valor pago por ele, de R$ 10 mil mensais, estaria significativamente abaixo do preço de mercado na região, que gira em torno de R$ 25 mil. A PF destaca que o imóvel foi adquirido por R$ 3,4 milhões pela J3 Real Estate Participações Ltda., apenas 50 dias após a criação da empresa, sendo seu único bem registrado.
Operação Sem Refino
A Operação Sem Refino 2, deflagrada em 14 de agosto, visa apurar fraudes na concessão de licenças ambientais para a Refit. De acordo com a Polícia Federal, as autorizações teriam sido concedidas “à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, além de lavagem de capitais ligada ao esquema criminoso”. O objetivo da investigação é esclarecer a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado.
Segundo o relatório, o esquema envolvia a ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, com o registro de bens de luxo em nome de “laranjas” para pagar despesas pessoais de Castro. Em contrapartida, o ex-governador teria beneficiado os interesses do empresário Ricardo Magro, identificado como líder do grupo criminoso. Mensagens de celulares apreendidos indicariam que Castro mantinha contato direto com responsáveis por licenças para agilizar processos da Refit e prejudicar concorrentes. Magro encontra-se foragido, com um mandado de prisão preventiva e seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.
Defesa nega as acusações
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro rechaçou qualquer envolvimento em esquemas ilícitos. Sobre os imóveis, os advogados afirmam que a residência na Barra da Tijuca possui “contrato regular de locação, com pagamentos comprováveis” e que a casa em Petrópolis também era alugada, com contrato já finalizado. A respeito do caviar, a defesa alega que o episódio ocorreu mais de um mês após Castro deixar o governo e que ele apenas retirou uma encomenda para um amigo em São Paulo.
A defesa nega categoricamente a ligação dos episódios com a Refit e afirma que os contatos com a empresa foram estritamente institucionais. A nota destaca ainda que a gestão de Castro adotou medidas para cobrar dívidas da refinaria e que uma viagem do então governador a Nova York foi custeada pelo estado, com dados disponíveis no Portal da Transparência. Os advogados informaram que já solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes que o ex-governador seja ouvido pela PF para prestar todos os esclarecimentos.
Na íntegra, a defesa declarou:
“Não há qualquer ligação entre os episódios envolvendo a compra e os imóveis com a Refit. São situações distintas, sem relação com a empresa ou com eventual favorecimento. Os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não resultaram em qualquer benefício. Durante sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa. Também não é verdade que uma viagem do então governador a Nova York tenha sido custeada pela Refit. A viagem foi oficial, paga pelo Governo do Estado, com registros disponíveis no Portal da Transparência. A defesa já requereu ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer todos os pontos da investigação e apresentar a documentação comprobatória. O pedido aguarda decisão. Cláudio Castro reafirma que não praticou qualquer ato ilícito.”
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













