DF ganha novas diretrizes para reúso de água; Lei é fruto da CPI do Rio Melchior

Nova legislação reforça política de uso sustentável de recursos hídricos no DF com base em recomendações de CPI

Por Kleber Karpov

Está em vigor no Distrito Federal a Lei nº 7.903/2026, que altera a Política de Reúso da Água e estabelece diretrizes mais amplas para o aproveitamento de recursos não potáveis. A nova norma é um dos resultados práticos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rio Melchior, presidida na Câmara Legislativa pela deputada Paula Belmonte (PSDB).

A legislação foi criada para enfrentar desafios como a crescente demanda hídrica e as mudanças climáticas, tornando obrigatória a implementação de sistemas de reúso em novos empreendimentos.

Escopo com novas modalidades

A legislação atualiza a Lei nº 5.890/2017, trazendo definições mais detalhadas para classificar diferentes tipos de água, como água de reúso, residuária e de chuva. Com a mudança, o escopo da política de aproveitamento hídrico é consideravelmente expandido, criando uma base técnica mais sólida para sua aplicação.

Além das novas definições, a lei estabelece modalidades específicas de aplicação para a água não potável. O reaproveitamento agora abrange os setores industrial, urbano, agrícola, florestal, ambiental e a aquicultura, diversificando o uso estratégico dos recursos hídricos em todo o território.

Segundo a justificativa que embasou o projeto, a medida é uma ferramenta crucial para a segurança hídrica da capital. O texto destaca que, no cenário de crescimento populacional e pressão sobre as fontes de água, a reutilização é uma resposta necessária.

“o reúso da água surge como uma solução sustentável e eficaz para a conservação dos recursos hídricos, aliviando a pressão sobre fontes de água potável e promovendo a eficiência no uso da água”, afirma o documento que embasou o projeto.

Reaproveitamento

Um dos principais avanços da nova norma é a exigência de que edificações, novos empreendimentos e atividades sujeitas ao licenciamento ambiental implementem sistemas de reúso de água para fins não potáveis. O Poder Público também se compromete a estimular o uso de águas de chuva e a realizar campanhas permanentes de conscientização contra o desperdício.

A deputada Paula Belmonte ressaltou que a iniciativa vai além do simples aproveitamento doméstico. O foco é tratar o efluente de esgoto para que ele possa ser reutilizado em diversas atividades, evitando seu descarte em rios e lagos.

“O objetivo é a ‘reutilização do efluente de esgoto tratado para usos diversos, evitando seu lançamento em corpos hídricos e garantindo padrões de qualidade que assegurem a proteção da saúde pública'”, conforme registrado no documento da comissão.

Estações de Tratamento

Paralelamente, os trabalhos da CPI originaram a Lei nº 7.904/2026, que institui a Política de Modernização das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). O texto visa a universalização do saneamento e a adoção de tecnologias que permitam o retorno do efluente tratado ao meio ambiente com mais qualidade ou seu direcionamento para o reúso.

A nova política incentiva a automação, o sensoriamento remoto e o uso de tecnologias compactas e de baixo custo operacional. Para isso, o poder público está autorizado a firmar parcerias técnicas com universidades, centros de pesquisa e instituições internacionais especializadas.

Com foco na proteção ambiental, a lei estabelece critérios de tratamento mais rigorosos para áreas sensíveis ou com risco de contaminação de aquíferos, utilizando como referência os mapas do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE-DF).




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.

 

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