Dentistas em UTIs ajudam a prevenir infecções e podem salvar vidas

Atuação odontológica contribui diretamente para recuperação de pacientes internados em hospitais do DF

Por Kleber Karpov

A atuação de cirurgiões-dentistas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) tem se mostrado fundamental para a recuperação de pacientes em estado grave nos hospitais do Distrito Federal. Em uma iniciativa que celebra o Dia Mundial da Saúde Bucal (20/Mar), especialistas do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF) detalham como o cuidado com a saúde bucal previne infecções, reduz complicações clínicas e pode salvar vidas, especialmente em pacientes intubados. O trabalho, realizado diretamente no leito, foca em impedir que bactérias da boca cheguem aos pulmões, evitando quadros como a pneumonia associada à ventilação mecânica.

O ambiente de uma UTI exige uma abordagem odontológica diferente daquela realizada em consultórios. Com muitos pacientes sedados e incapazes de realizar a própria higiene, o cuidado torna-se mais complexo e dependente da colaboração entre equipes. Enquanto a higiene bucal diária é executada pela enfermagem, o dentista hospitalar é responsável por uma avaliação aprofundada da cavidade oral.

Essa avaliação inclui a análise de dentes, gengiva, língua e mucosas para diagnosticar e tratar alterações que possam comprometer a saúde geral do paciente. Entre os procedimentos mais comuns estão o tratamento de feridas causadas por dispositivos hospitalares, o controle de infecções como herpes e candidíase, o manejo de doenças periodontais e a eliminação de focos infecciosos.

Em situações de maior risco, pode ser necessária a extração de dentes que correm o perigo de se soltar e serem aspirados. “No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), atuamos diretamente à beira do leito. Nosso objetivo é ajudar a reduzir complicações e contribuir para a recuperação dos pacientes”, explica a cirurgiã-dentista intensivista Ana Paula Oliveira.

“Já recebemos pacientes sem diagnóstico definido e, durante a avaliação odontológica, identificamos infecções importantes na boca. Após o tratamento, houve melhora do quadro clínico, o que reforça a relação direta entre a saúde bucal e o organismo como um todo”, afirma Nathália Machado, dentista hospitalar do Hospital Regional de Santa Maria.

Cuidado pouco conhecido

Apesar de sua relevância, a presença de dentistas em UTIs ainda é desconhecida por grande parte da população. Segundo os profissionais, a restrição de acompanhantes nesse ambiente dificulta que familiares observem essa faceta do tratamento. “Muitas vezes, quando o familiar percebe alguma lesão e explicamos que o tratamento está sendo feito pela odontologia, há uma surpresa”, ressalta Nathália.

Esse desconhecimento contrasta com o impacto direto que a saúde bucal pode ter em procedimentos médicos complexos. Infecções orais podem impedir ou adiar cirurgias importantes, como transplantes. “Antes de uma cirurgia cardíaca ou de um transplante, por exemplo, é essencial que o paciente esteja sem focos de infecção na boca. Caso contrário, o procedimento pode ser adiado por risco de complicações graves”, detalha a especialista.

O dentista hospitalar Flávio Garcia recorda um caso que ilustra a importância do serviço integrado. “Era um paciente que precisava extrair alguns dentes para ser liberado para um transplante de coração. Conseguimos realizar o procedimento a tempo. Quando finalizamos, ao abrir a porta, a esposa dele estava chorando ao telefone: o coração tinha acabado de chegar. Tudo aconteceu no momento certo”, conta.

Alerta começa fora do hospital

Especialistas reforçam que os cuidados com a saúde bucal devem ser uma prática contínua, iniciada muito antes de qualquer necessidade de internação. Hábitos como uma boa higiene, visitas regulares ao dentista e o tratamento precoce de problemas são essenciais para prevenir complicações futuras. “Cuidar da saúde bucal é cuidar da saúde como um todo. Muitas doenças podem ser prevenidas com hábitos básicos e acompanhamento profissional”, finaliza Ana Paula.

Serviço de emergência

Para emergências odontológicas, o IgesDF orienta a busca por uma unidade de pronto atendimento. As UPAs de Ceilândia I, Samambaia, Sobradinho, Núcleo Bandeirante e Recanto das Emas oferecem atendimento de urgência. Casos de maior complexidade são encaminhados aos hospitais, que possuem especialidades como cirurgia bucomaxilofacial e odontologia hospitalar.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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