Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos, indica estudo do Butantan

Pesquisa do Butantan mostra proteção de 80% contra casos graves

Por Kleber Karpov

Um novo estudo conduzido pelo Instituto Butantan, publicado na revista Nature Medicine na última quarta-feira (04/Mar), revelou que a vacina brasileira Butantan-DV mantém sua eficácia contra a dengue por um período de até cinco anos. A pesquisa, que acompanhou mais de 16 mil participantes, demonstrou que o imunizante de dose única oferece uma proteção de 80,5% contra casos graves da doença, sem registro de hospitalizações ou dengue severa entre os vacinados durante o período de análise.

A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destacou que o resultado confirma não apenas a proteção duradoura, mas também a eficiência do esquema vacinal de apenas uma aplicação. A Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue no mundo com essa característica, o que representa uma vantagem logística e de adesão populacional.

“Vacinas que precisam de duas ou mais doses, a gente tem vários dados que mostram que muitas pessoas não voltam pra completar o esquema. Então, essa demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante. Mas é claro que nós vamos continuar acompanhando, para saber se realmente não vai ser necessário um reforço depois de 10 ou 20 anos”, disse Fernanda Boulos.

A eficácia geral do imunizante contra qualquer forma de dengue foi de 65%. Este índice, contudo, sobe para 77,1% em pessoas que já tiveram a doença antes de receber a vacina, indicando uma resposta imune mais robusta nesse grupo.

Restrições

Os resultados do estudo mostraram variações de eficácia conforme a faixa etária, com proteção superior em adultos e adolescentes em comparação com as crianças. Com base nesses dados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da Butantan-DV para a população entre 12 e 59 anos, embora os testes tenham incluído crianças a partir de 2 anos.

“Eles reconhecem que os dados de segurança pra crianças estão corretos, mas como depois de cinco anos, a eficácia entre as crianças cai mais do que entre os adultos, nós precisamos saber se elas vão precisar de reforço”, explicou a diretora médica do Butantan.

Fernanda Boulos informou que o instituto já planeja, em conjunto com a Anvisa, um estudo adicional para avaliar a necessidade de uma dose de reforço no público infantil. Além disso, testes com idosos estão em andamento, com resultados previstos para o próximo ano, visando uma possível ampliação do público-alvo da vacina.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, considera a inclusão de idosos fundamental, já que este grupo concentra a maior taxa de mortalidade por dengue no país. Ele também ressaltou a segurança do imunizante demonstrada na pesquisa.

“Ele nos mostra que a vacina se mantém protetora por um prazo bastante longo, e é extremamente segura. E esse também é um aspecto fundamental. Qualquer medicação, incluindo vacina, a gente precisa ver como eles vão se comportar com a sua utilização”, complementou Juarez Cunha.

Segurança

O estudo de longo prazo, que envolveu cerca de 10 mil pessoas vacinadas e quase 6 mil que receberam placebo, confirmou que a Butantan-DV foi bem tolerada, sem preocupações de segurança significativas. A pesquisa reforça a importância estratégica de desenvolver imunizantes no país.

“Em termos estratégicos é fundamental que a gente tenha uma pesquisa nacional conseguindo chegar a esses produtos de ponta, eficazes e seguros. Possibilita que a gente consiga abastecer mais fácil o nosso Programa Nacional de Imunizações e também é um ativo de negociação com outros países”, destacou o diretor da SBIM.

A prioridade do Instituto Butantan é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, após o suprimento da demanda interna, a instituição avalia negociar a venda de doses para outros países, especialmente na América Latina, que também enfrentam epidemias de dengue.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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