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20 jan 2026 23:23

Protagonista em jogos de aposta, Caixa deve ficar fora das bets? Especialista questiona crítica de Lula à participação do Banco

Com autorização legal e expertise para atuar com apostas de quita fixa, Caixa Econômica Federal pode protagonizar como exemplo de prática com responsabilidade social no setor. Mas crítica do presidente levanta dúvidas sobre atuação do banco público no mercado recém-regulamentado

Por Kleber Karpov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitou uma reunião com o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, para tratar do recente anúncio de que o banco pretende lançar sua plataforma de apostas esportivas on-line (26/Out). A iniciativa presidencial acontece após a Caixa obter autorização formal, cumprindo a Lei 14.790/2023, sancionada no próprio Governo Federal. Especialistas questionam a postura crítica do presidente, que ignora a legalidade da medida e a expertise do banco.

Crítica ao discurso governamental

Felipe Crisafulli, Advogado – Foto: Divulgação

Felipe Crisafulli, que é sócio do Ambiel Bonilha Advogados e membro da Comissão de Direito dos Jogos, Apostas e do Jogo Responsável da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo (OAB/SP), critica o posicionamento de Lula ao que classificou de “infeliz e inoportuna” no momento em que a empresa estava prestes a entrar em operação.

O especialista ressalta que a Lei 14.790/2023, que rege o tema, foi criada sob o comando do Governo Lula e estabelece que as apostas de quota fixa são uma modalidade lotérica. A Caixa, com sua expertise no setor, seguiu exatamente o rito definido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), que é vinculada ao Ministério da Fazenda.

“A Caixa Loterias S.A. demonstrou pré-interesse em ser agente operador de apostas de quota fixa ainda em meados de 2023, antes mesmo dos critérios da regulamentação estarem definidos. Em 20 de agosto do ano passado, a companhia apresentou o seu pedido de autorização, de acordo com os trâmites previstos pelo Governo Federal, através da SPA. Em 30 de julho deste ano, a autorização foi concedida. Portanto, a empresa participou de todas as etapas e cumpriu com os requisitos legais e regulamentares para operar no mercado de bets brasileiro”, detalhou Crisafulli.

O papel essencial da Caixa

O advogado questiona a razão da manifestação pública do presidente, que busca impedir a atuação do banco no setor. “Foi o seu Governo quem criou a SPA, a Caixa preencheu todos os requisitos estabelecidos pela Secretaria, e mesmo assim a empresa não deve participar desse setor da economia brasileira? Com base em quê? Qual a justificativa?”, questionou Crisafulli.

Para Crisafulli, defende a entrada da Caixa no mercado, por considerar a participação da Caixa, essencial e razoável, dado o Estatuto Social do banco e os interesses da sociedade. Compete à Caixa administrar e prestar os serviços de loterias, além de ser um instrumento para a execução de políticas federais.

“Mais do que natural, é mesmo essencial que a Caixa participe desse mercado, seja pelo relevante volume de dinheiro que ele movimenta, direta e indiretamente, seja como instrumento para cooperar com o fortalecimento e a conscientização quanto às determinações legais e regulamentares, em especial aquelas relativas ao jogo responsável e ao jogo patológico”.

Para o advogado, a atuação da Caixa poderia servir como um modelo de responsabilidade social e compliance no mercado de apostas on-line, área que o Governo Federal tem demonstrado preocupação com a regulamentação e a fiscalização, em virtude do crescimento desordenado das bets desde a abertura ao mercado, em 2017.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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