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20 jan 2026 13:38

Hospital de Base combina tratamento de câncer de mama com acolhimento humanizado

Pacientes no HBDF relatam importância do apoio psicológico e humanizado durante tratamento; profissionais e voluntários formam rede de cuidado

Por Kleber Karpov

No dia de comemoração ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado neste domingo (19/Out), profissionais da unidade do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF), e voluntários, relatam como o suporte psicossocial é determinante para pacientes que enfrentam mastectomias e sessões de quimioterapia. Para lidar com o desafio, no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), pacientes em tratamento contra o câncer de mama recebem uma combinação de tratamento técnico e acolhimento humanizado para auxiliar na recuperação.

A jornada das pacientes

Aos 53 anos, Regina Sousa Bispo descobriu o tumor após sete meses de investigação, pois os exames de imagem não o detectavam. Apenas a biópsia revelou o câncer. “Quando ouvi o resultado, foi como se tivessem me dito: você vai morrer. Eu vivia com uma faca no pescoço”, lembra.

No HBDF, Regina Sousa passou por uma mastectomia radical, com a retirada total das mamas, e pela remoção de dez linfonodos. Foi na unidade onde ela enfrentou os efeitos colaterais da quimioterapia e iniciou a sua recuperação. “Você sai da cirurgia e não se reconhece. Perdi o cabelo, oito dentes, o corpo mudou. Mas, aos poucos, com o apoio da equipe do Hospital de Base, eu fui voltando a me enxergar com carinho”.

Em remissão, Regina Sousa mantém um acompanhamento rigoroso a cada três meses. “Oncologistas, mastologistas, enfermeiras, psicólogos e, principalmente, as meninas do centro de infusão, todos aqui têm uma empatia ímpar. Sempre me senti cuidada e orientada com gentileza. A gente passa a querer viver bem cada dia, mesmo com medo e cansada. Se eu tiver só um dia de vida, quero vivê-lo bem, maquiada e de cabeça erguida”.

Essa mesma força move Valquíria Espíndola, de 47 anos, que descobriu um nódulo durante o autoexame. “Eu mesma senti o caroço e procurei ajuda médica. Foi o começo de uma luta, mas nunca estive sozinha”, conta. Em tratamento há um ano, ela está prestes a concluir a quimioterapia e se prepara para a cirurgia.

“Desde o início, o pessoal me acolheu muito bem. As meninas da Rede Feminina, os médicos, todos me deram apoio. No Centro de Infusão, o carinho é constante. É isso que nos dá coragem para seguir”, relata Valquíria Espíndola.

Cuidado além da técnica

Fernanda Hak, gerente geral de assistência do Hospital de Base, reforça que o tratamento oncológico ultrapassa a aplicação técnica dos procedimentos. “A técnica é essencial, mas é o cuidado que transforma. As cicatrizes e os fios que voltam a crescer são só parte da história. O que floresce mesmo é a coragem de recomeçar”.

Entre as mãos que acolhem está Arlene da Conceição Vilela, colaboradora do Programa Humanizar, uma iniciativa que promove o acolhimento nas unidades de saúde geridas pelo IGESDF. Antes de oferecer conforto, Arlene precisou dele, quando descobriu um câncer de mama em 2018. Ela passou por cirurgia, radioterapia e cinco anos de tratamento.

“Eu sei o que é ouvir aquele diagnóstico e sentir o mundo parar. Por isso, faço de tudo para tratar cada paciente com amor. Um sorriso e uma palavra amiga nos ajudam a curar a alma”, afirma Arlene Vilela.

Com voz calma, Arlene Vilela resume o que aprendeu com a doença e com o trabalho: “Deus está no controle de tudo. Depois vêm os médicos, o tratamento e o carinho do Humanizar. É isso que sustenta a gente.”

Suporte da Rede Feminina

Perto dali, outras mulheres recebem apoio da Rede Feminina de Combate ao Câncer. A coordenadora da entidade, Larissa Bezerra, explica que o grupo atende cerca de mil pacientes por mês. “Muitas chegam arrasadas, sem saber como vão enfrentar a doença. Nosso papel é mostrar que a vida continua, que há beleza, vaidade e amor mesmo no meio do tratamento”.

Segundo Larissa Bezerra, a entidade, com sede no HBDF, mantém 40 projetos que inclui  doação de perucas, próteses mamárias, sutiãs adaptados e lenços. “Uma peruca pode parecer pequena, mas devolve identidade e autoestima. Já vimos mulheres chorarem de emoção por se verem de novo no espelho”.

A organização também acolhe pacientes de outras regiões e mantém uma casa de apoio no Núcleo Bandeirante, onde voluntários e doadores auxiliam na garantia do cuidado contínuo.

Compromisso

A chefe de enfermagem do Ambulatório Onco-Hematológico, Larissa Dias, reforça que o acolhimento se inicia no primeiro contato com a paciente. “Hoje conseguimos iniciar o tratamento de forma rápida. Se a paciente chega com o diagnóstico, muitas vezes já encaixamos a quimioterapia para o dia seguinte. Nosso foco é garantir que ninguém espere por cuidado”.

Com os avanços recentes no tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as chances de cura aumentam. Para Larissa Dias, o diferencial do Hospital de Base está no olhar integral.

“Não é só sobre o medicamento. É sobre orientar, conversar, explicar efeitos colaterais, oferecer suporte psicológico e nutricional. É sobre estar presente em cada fase. Hoje, o câncer de mama tem tratamento eficaz, e muitas pacientes saem curadas. Mas o que realmente transforma é o cuidado humano, o olhar atento, o toque gentil. Isso é o que cura de verdade”, reforça Larissa Dias.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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