Polícia Militar de Porto Alegre conduz coercitivamente vítima de facada na ‘gaiola’ e conduz agressor na banco de passageiros

Episódio escancara inversão de valores praticada por policiais e foi considerado caso de racismo por autoridades políticas, após polícia endurecer com vitima e 'confraternizar' com agressor

PUBLICADO EM 17/02/2024 ÀS 20H12 – ATUALIZADO EM 18/02/2024 ÀS 10H34

Por Kleber Karpov

Uma cena chamou atenção protagonizada por parte do Brigada Militar (BM) da Polícia Militar de Porto Alegre (PMRS), durante a evolução em uma ocorrência policial, na tarde deste sábado (17/Fev), no bairro Rio Branco na capital gaucha. Na cena, durante a ação do BM em uma ocorrência, a polícia partiu para cima, conteve e conduziu para a delegacia algemado e na parte traseira da viatura, um homem negro, o motoboy, Éverton Guandeli da Silva, 40 anos, enquanto diversas pessoas informavam se tratar da vítima de uma facada.

Agressor sorridente

O caso chamou ainda mais a atenção, pois enquanto Silva, vítima da situação era contido por quatro policiais, o agressor, um senhor branco, descontraído até sorriu enquanto conversava com outras duas policiais, além de ir, sem escolta, até a própria casa, em um prédio ao lado, para vestir uma camiseta.

Agressor, sem camisa, ao fundo (Direita) conversa sorridente com policiais enquanto vítima de facada é colocado a força em gaiola de viatura policial – Foto: ReproduçãoO agressor após retornar, foi algemado e conduzido nos assentos de passageiros. Silva por sua vez, embora sem oferecer qualquer resistência e tratado de forma grosseira pelo primeiro policial que o abordou, ao tentar explicar ser a vítima esfaqueada. Porém, acabou por ser ‘contido’ de uma resistência que não havia oferecido, por quatro policiais, algemado e colocado, à força, dentro da ‘gaiola’ de uma das viaturas policiais.

Reação

O caso imediatamente viralizou nas redes e gerou a reação, em especial da classe política, que classificou de racismo a ação do BM de Porto Alegre. Esse foi o caso da deputada federal, Jandira Feghali (PCdoB/RJ) ao comentar a ‘inversão’ da ação esperada na condução de uma abordagem, por parte da PMRS, ao que classificou de racismo.

“Quando a vitima se torna agressor. Hoje em Porto Alegre, um homem negro, vítima de uma tentativa de homicídio, ao ligar para a Brigada Militar em busca de socorro, acabou preso pelos militares ao chegarem ao local. O agressor, um homem branco portando uma faca, não recebeu a mesma “atenção” das autoridades, pelo contrário, foi tranquilamente até seu apartamento pegar documentos e a faca que utilizou. Mesmo com testemunhas dizendo que o rapaz negro “era a vítima”, a Brigada Militar o revistou e o algemou, conduzindo ao camburão da viatura. O nome disso é racismo! Esperamos atitudes firmes por parte do Estado e apuração e punição imediata da conduta dos policiais.”, postou na rede social X, antigo Twitter.

Também por meio das redes sociais, a deputada federal, Fernanda Melchionna (Psol/RS), classificou de absurda a ação policial e ponderou que “o autor da tentativa de homicídio só foi levado para a delegacia por conta da população que presenciou o caso.”.

https://twitter.com/fernandapsol/status/1758911068724727882

Na mesma linha, o deputado estadual Leonel Radde (PT/RS) ponderou que o agressor, armado com uma faca na ocasião é conhecido na região por práticas de “atitudes apontadas pelos moradores como violentas e racistas”.

“Ao ser acionada e chegar ao local, a polícia conduziu o homem que foi atacado e o agressor de maneiras totalmente distintas. Enquanto a vítima, que é negra, foi algemada e conduzida no camburão, o agressor, que é branco, foi algemado e seguiu até a delegacia pelo banco de trás da viatura.”, publicou nas redes socais ao ressaltar a necessidade de se fazer “um debate profundo sobre o racismo estrutural e orientações técnicas para que os policiais possam refletir sobre essas diferenças de tratamento.”, concluiu.

Sindicância

De acordo com a Polícia Civil do estado, houve o registro um boletim de ocorrência, por lesão corporal, contra o agressor em relação ao homem negro, em decorrência de escoriações sofridas na região do pescoço, provocadas pela faca. A vítima, também registrou um BO por abuso de autoridade contra a BM, em função da conduta durante a abordagem policial. Ambos foram liberados após o registro do BO.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB/RS), que viu as cenas por meio das rede sociais, determinou a abertura de sindicância por meio da Corregedoria da BM. Essa por sua vez deve ouvir as testemunhas para apurar as circunstâncias em que as ações ocorreram.

“Sobre a prisão de um homem negro que seria vítima de tentativa de homicídio em POA, determinamos via Corregedoria da Brigada Militar a abertura de sindicância para ouvir imediatamente testemunhas e apurar as circunstâncias da ocorrência, com a mais absoluta celeridade”, postou Leite nas redes sociais.

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