CRM-DF e MPDFT: Intervenção no Hospital de Base acontece em boa hora?

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Pressionados com crise, déficit de profissionais, não renovação de contratos temporários, greve, enxugamento de horas-extras, servidores da Saúde pedem socorro.

Por Kleber Karpov

Dia 22 de outubro a presidente do CRM-DF encaminhou oficio à Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) copiada à Diretoria Geral do HBDF, informando que o Conselho em conjunto com o Promotor de Justiça da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), Jairo Bisol, farão fiscalização ‘in loco’ na terça-feira (27/Out) nas dependências do Hospital.

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Ofício emitido pelo CRM-DF

A fiscalização abrange o Centro de Trauma, Pronto-Socorro, Centro Cirúrgico, além das unidades de Oncologia, Nefrologia, Radioterapia, Laboratório de Análises Clínicas, Radiologia e Farmácia. O documento cobra da direção do HBDF, relatórios individuais de providências que já foram tomadas e em andamento para solucionar “insuficiências no atendimento, contendo prazos necessários à conclusão.”

De acordo com o Ofício nº 5467/2015, o HBDF é a unidade mais crítica em relação à falta de atendimento “inclusive já se encontrando há 15 dias em indicativo de interdição Ética de todas as cirurgias eletivas do Centro Cirúrgico”.

Sob pressão

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Médicos e demais servidores com receio que a unidade seja interditada, de vez, o que pode agravar ainda mais o atendimento à população, questionam a ação do CRM-DF, em um momento tão delicado da Saúde do DF. Isso porque com o déficit de profissionais, somado a redução dos quadros em decorrência de não renovação de contratos temporários imposto pelo Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) sob recomendação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), mais o impacto da greve dos servidores da Saúde do DF, médicos do Hospital de Base do DF (HBDF) questionam a intervenção do CRM-DF e pedem socorro.

“Não temos nada contra as fiscalizações, muito pelo contrário, sabemos que a força da intervenção seja do CRM, Ministério Público, Comissão de Direitos Humanos são essenciais para garantir melhoria de condições de trabalho e sobretudo do atendimento aos usuários do SUS. Mas o momento é extremamente delicado, crítico, estamos tentando salvar vidas com condições absurdas e muito nos preocupa um possível fechamento seja parcial ou total de áreas imprescindíveis da maior regional do DF. Seria uma catástrofe total. Nós que temos comprometimento de salvar vidas estamos no limite, exauridos e sobrecarregados, com a omissão do Estado, o que ocorre em todo país. Acredito que esse não seja o melhor momento para uma ação dessa natureza.”, desabafa um cirurgião que pediu para não ser identificado.

Em um discurso emocionado um médico que pede para não ser identificado encaminhou um depoimento ao Política Distrital, em que faz um desabafo em relação à intervenção do CRM-DF e do MPDFT nesse momento:

Em guerra heróis resolvem, mas o fogo “amigo” destrói!!!!
Deixem nosso heróis salvarem vidas!!!!!!

Mais um capítulo de tragédia grega na saúde, reunidos em um mesmo palco, encontramos heróis e seus opositores alguns vestindo a mesma cor:  “o branco”.

Em nosso maior hospital, um grupo de HERÓIS composto por muitos de seus médicos e profissionais de saúde (dos plantonistas à direção ) tentam minimizar efeitos deletérios e nefastos da tão propagada crise.

Em oposição, além de todas as mazelas tão conhecidas, percebemos posicionamentos duvidosos e pouco claros, com documentos de redação dúbia, por parte de conselhos regionais profissionais, trazendo insegurança administrativa, ética e jurídica aos verdadeiros heróis de nossa “teatro de guerra”.

Que as condições de nossos hospitais públicos são precárias todos sabemos, e faz tempo, que sem esses mesmos hospitais muitos mais morreriam também não é novidade, minha dúvida como não medico é: Senhores do Conselho Regional, só agora não tem condições éticas de funcionamento? Em um documento interdita e 30 dias depois libera? Sindicância contra a diretora que é uma das heroínas e vítima de nossa “tragédia grega tupiniquim”?

Não entendo, mas quem não entende mesmo são os pacientes e seus familiares, que sem o Base enfrentarão o pior desfecho.

Em momento de crise heróis salvam, alguns outros atrapalham, mas coerência, bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Aos senhores de “branco”, aos senhores de “preto”, aos senhores de terno fino, vai o clamor da população:

DEIXEM NOSSOS VERDADEIROS HERÓIS TRABALHAREM EM PAZ!!!!!

Responsabilizem quem deve ser responsabilizado, TENHAM A CORAGEM DE FAZER O CERTO!!!!!

Antiético é fazer papel proibindo equipes de fazer o seu melhor em um momento onde regras incoerentes são por vezes o gesso que selará algumas sepulturas.