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16 mar 2026 23:32

Trump posta vídeo racista com casal Obama como macacos

Publicação inclui imagem ofensiva de ex-presidente e ex-primeira-dama em meio a falsas acusações de fraude eleitoral

Por Kleber Karpov

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em uma rede social na madrugada, desta sexta-feira (6/Fev), um vídeo com teor racista onde aparecem representados como macacos o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama. A imagem de dois segundos foi inserida em um vídeo de cerca de um minuto que dissemina teorias da conspiração e denúncias não comprovadas de fraude nas eleições de 2020, ano em que Trump perdeu para o presidente democrata Joe Biden e não reconheceu os resultados.

O vídeo racista de Trump, foi um de um total de 60 postagens realizadas pelo republicano em um intervalo de apenas três horas. Grande parte das publicações continham acusações de fraudes na eleição de 2020, as quais nunca foram comprovadas.

O vídeo que agride a imagem de Obama, primeiro presidente americano, negro, também reitera acusações, já desmentidas, sobre contribuição da empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems em fraude naquela eleição.

Vale ressalvar que, por veicular essa falsa acusação, a emissora Fox News realizou um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para suspender um processo de difamação movido pela empresa de tecnologia.

Reação

Em resposta à publicação, o líder dos democratas da Câmara de Representantes dos EUA, o deputado negro Hakeem Jeffries, manifestou-se em defesa de Obama e Michelle, elogiando-os como “o melhor deste país”.

“Donald Trump é um verme vil, desequilibrado e maligno. Por que líderes republicanos como John Thune continuam a apoiar esse indivíduo doente? Todos os republicanos devem denunciar imediatamente o fanatismo repugnante de Donald Trump”, defendeu Jeffries.

Cenário eleitoral e manipulação política

O reforço da tese de fraude eleitoral de 2020 por parte do ex-presidente dos EUA acontece em meio a avaliações de que Trump pode perder a pequena maioria que mantém na Câmara e no Senado estadunidenses nas eleições de novembro deste ano. A estratégia parece visar a deslegitimação de processos democráticos para mobilizar sua base.

No último sábado anterior à publicação, o democrata Taylor Rehmet conquistou uma cadeira no Senado estadual do Texas que era ocupada por um republicano desde a década de 1990. A historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston, informou que Rehmet venceu com uma margem de 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump havia vencido em 2024 por 17 pontos. “A virada de 32 pontos percentuais deixou os republicanos ‘em pânico total’”, disse a especialista.

Ainda nesta semana, o estrategista trumpista Steve Bannon afirmou que o governo deveria mobilizar agentes da polícia de imigração ICE, alvo dos recentes protestos nos EUA. Bannon repetiu a alegação não comprovada de que os imigrantes ilegais “corrompem a eleição”.

No ano passado, republicanos alteraram os limites dos distritos eleitorais no Texas e no Missouri, prática conhecida como “gerrymandering” ou “manipulação eleitoral”. Esta prática consiste no redesenho das fronteiras dos distritos eleitorais para favorecer determinada visão política. Por exemplo, o redesenho pode dividir uma região de maioria negra e urbana em dois distritos diferentes, onde a população negra passa a ser minoria diante de populações brancas e rurais que foram incluídas na mesma área.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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