SindMédico-DF: Nova crise no Hospital Regional de Santa Maria

Unidade de Ginecologia e Obstetrícia tem equipe insuficiente, falta segurança, macas se espalham pelos corredores e paciente com KPC não é isolado

O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) realiza uma média diária de nove partos por dia. A unidade tem, segundo registro da Sala de Situação da SES-DF, 31 gineco-obstetras lotados, com carga horária semanal total de 860 horas. Consideradas férias e afastamentos diversos, essa carga horária cai para 680 semanais, insuficiente para o atendimento em pré-parto, parto e puerpério imediato (PPP); centro obstétrico, emergência e maternidade.

A carga horária de trabalho mínima para funcionamento ininterrupto da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia (UGO) do HRSM, em esquema de funcionamento sete dias por semana, seria de 1 mil horas semanais. O déficit nominal é de 140 horas, mas o real é de 340, o que equivale a uma equipe de 16 médicos com 20 horas semanais.

A falta de profissionais – com a carga horária disponível, em uma distribuição uniforme, seriam quatro a cada 24 horas – está prejudicando o atendimento e provocando até a evasão de pacientes. “Estivemos no HRSM no início da tarde da segunda-feira, 17, e fomos informados de que só naquele dia 12 pacientes tinham ido embora sem receber alta médica”, conta o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Dr. Gutemberg.

Além de médicos, registra relato enviado ao sindicato pela equipe da UGO de Santa Maria, também faltam enfermeiros obstetras e não existe o serviço de classificação de risco, apesar de a equipe de enfermagem ter treinamento para isso. Os profissionais também se queixam de falta de ultrassonografia fetal, cardiotocografia intraparto e laboratório de urgência com atendimento eficiente.

Embora só disponha de uma única especialista para atuação em gravidez de alto risco – e ela mesma uma gestante de alto risco – o HRSM é referência em partos dessa natureza para atendimento a pacientes com menos de 31 semanas e seis dias de gestação residentes também no Gama e para as que moram em Abadiânia, Alexânia, Cidade Ocidental, Cristalina, Luziânia, Novo Gama e Valparaíso de Goiás. Também é para lá que são encaminhadas as emergências gineco-obstétricas de Abadiânia, Alexânia, Cidade Ocidental e Novo Gama.

Retratações de carga horária de 40 para 20 horas, antecipação de aposentadorias, demissões e desistência de concursados destinados ao preenchimento de vagas naquela unidade de saúde estão provocando a redução da capacidade de oferta de serviços e sobrecarga de trabalho. A situação também provoca aumento da possibilidade de ocorrência de erros e a revolta dos usuários, que chegam a agredir os profissionais. “Em decorrência dessa situação, aumenta o estresse e o adoecimento, o que acaba se tornando mais um fator para afastar os profissionais do trabalho e que dificulta ainda mais a assistência à população”, aponta Dr. Gutemberg.

Nos últimos três anos, o centro obstétrico do HRSM passou nove meses fechado, entre julho de 2105 e março de 2016, e de janeiro a fevereiro de 2017, por falta de médicos neonatologistas. Depois de muita demora foram contratados profissionais em número suficiente para permitir a reabertura.

Problemas se multiplicam

As vagas de internação em corredor se tornaram uma realidade no Hospital Regional de Santa Maria. De uma ponta a outra da unidade de saúde, as macas formam filas junto às paredes, onde se coloca o número do leito e a identificação do paciente.

Na recém-reaberta emergência pediátrica a situação também não é fácil. Falta espaço, sobram pacientes, que passam até 10 horas esperando atendimento. Com a inexistência de pediatras nas unidades básicas de saúde, a porta da emergência está sempre cheia de pacientes indignados. As agressões são constantes quando os médicos abrem a porta da recepção para chamar os pacientes – não há sequer um sistema de som para preservar dessa situação quem está em serviço.

“No dia da visita, 20 de 40 pacientes que aguardavam acabaram desistindo até o meio da tarde sem conseguir atendimento”, relata Dr. Gutemberg. A fila chega a 80 em dias mais movimentados.

No box da emergência a situação também não era melhor. Pacientes se acumulavam em macas muito próximas umas das outras, sem espaço para os profissionais se moverem entre elas.

Entre os 12 que estavam lá naquela tarde, um estava infectado com a superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). Sem isolamento, um paciente nessa situação pode contaminar os demais, todos em estado grave, que estão ao seu redor. Mas, como na emergência pediátrica, o PS dos adultos não tem sala de isolamento.

Fonte: SindMédico-DF

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