‘Operação Alto Custo’ da Polícia Civil do DF desmantela organização que furtava remédios para câncer e os revendia com notas frias

Esquema de "lavagem de medicamentos" realizou movimentações de aproximadamente R$ 22 milhões além de colocar em risco consumidores de medicamentos, uma vez que muitos foram encontrados mantidos sem refrigeração adequada

Por Kleber Karpov

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta sexta-feira (17/Abr), a ‘Operação Alto Custo’ para desmantelar uma organização criminosa especializada em furtar, roubar e “lavar” medicamentos de alto custo. Conduzida pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) após um ano de investigação, a ação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva. O grupo utilizava empresas de fachada e fraudes fiscais para reinserir os fármacos de origem criminosa no mercado e fornecia a instituições de saúde.

A investigação revelou um esquema de “lavagem de medicamentos” que cooptava colaboradores de uma distribuidora de produtos farmacêuticos. Esses funcionários desviavam e subtraíam os produtos, que eram então reinseridos no mercado de forma aparentemente legal por meio de fraudes contábeis e fiscais, utilizando notas ideologicamente “esquentadas”.

Uma das principais distribuidoras lesadas está situada no Distrito Federal. A sede da organização criminosa, no entanto, foi identificada na cidade de Goiânia (GO), com ramificações em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo a apuração, o líder do grupo movimentou cerca de R$ 22 milhões em notas fiscais frias em apenas um ano para legalizar os medicamentos desviados.

Carga milionária interceptada em Brasília

Durante a investigação, a PCDF interceptou uma carga avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões. A apreensão ocorreu em uma transportadora no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek, com o apoio da Receita Federal do Brasil e da Delegacia de Roubo e Furtos de Cargas da Capital do Rio de Janeiro (DRFC).

A carga continha 493 caixas do medicamento Upadacitinibe e era proveniente de um roubo ocorrido em 31 de março de 2026, no município de Niterói (RJ). A ação foi um ponto crucial para desvendar a complexa rede que operava nos bastidores do esquema.

Risco à saúde pública e prejuízo milionário

Os medicamentos subtraídos são de altíssimo valor, como o Venclexta estimado em R$ 37 mil, Libtayo (R$ 32 mil), Imbruvica (R$ 40 mil) e Tagrisso (R$ 32 mil), utilizados em tratamentos contra o câncer e outras doenças graves. O prejuízo total em apenas uma das distribuidoras afetadas chega a R$ 6 milhões.

A polícia destacou a gravidade dos crimes, que ultrapassam o prejuízo financeiro. Muitos dos medicamentos apreendidos não eram mantidos sob refrigeração adequada, o que compromete o princípio ativo, fazendo com que percam o efeito terapêutico. Essa falha no armazenamento pode tornar os fármacos ineficazes ou até mesmo tóxicos para os pacientes.

A PCDF ressaltou também que os delitos representam um ataque direto à vida de pessoas em tratamento de comorbidades. A corporação destacou que os criminosos colocaram em risco pacientes extremamente vulneráveis, que dependem desses medicamentos para sobreviver, ao comercializar produtos que poderiam estar degradados.

Tipificação dos crimes e investigados

O inquérito policial apontou evidências dos crimes de furto qualificado, receptação qualificada, falsificação de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (artigo 273 do Código Penal) e organização criminosa. Os investigados retiravam os medicamentos do estoque, ocultavam os produtos em caixas de descarte e os entregavam a terceiros.

A operação contou com a colaboração da Polícia Civil de Goiás, da Anvisa e da Vigilância Sanitária de Goiânia para as diligências realizadas em Valparaíso de Goiás, Novo Gama e na capital goiana. A Divisão de Operações Especiais (DOE) da PCDF também prestou apoio operacional.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.

 

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