Por Kleber Karpov
Novidades no cenário recente da política nacional e do Distrito Federal, podem impactar diretamente na composição política majoritária da Capital Federal, tanto na disputa a vaga ao Executivo local, quanto à disputa por uma das duas vagas ao Senado Federal pelo DF. De um lado, a negativa da Procuradoria-Geral da República (PGR), na quinta-feira (25/Jun), à proposta de delação premiada ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, joga por terra tentativa de se consolidar discurso adotado pela oposição contra a governadora do DF, Celina Leão (Progressistas) sobre suposto envolvimento com o ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Personagem esse, pivô também da derrubada de popularidade do ex-governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado Federal (SF) em geral com uma das duas vagas garantidas ao SF, que na última pesquisa o emedebista viu o nome ser retirado da garantia de uma das duas vagas. Mas, que pode voltar à disputa tanto pela negativa da PGR à Costa quanto por declarações recentes da ex-primeira Dama, Michelle Bolsonaro, pré-candidata ao SF que pode consolidar disputa à presidência da República.
Disputa ao GDF
Celina Leão que desde o lançamento à disputa ao GDF, realizada por Ibaneis em abril de 2025, sempre esteve com avaliação acima dos 40%, com alcance de até 24 pontos percentuais acima do segundo colocado, teve em pesquisa recente uma queda de 25% por assumir o governo em 31 de março desse ano, após desincompatibilização de Rocha para a disputa ao Senado. A Leoa viu a dívida do BRB saltar de R$ 2 bilhões para cerca deR$ 18 bilhões, ainda nas duas primeiras semanas de governo. Ocasião em que passou a enfrentar a saga de salvar o banco.
Porém, as pesquisas também foram impactadas com a tentativa da oposição reverberar uma suposta relação da Leoa com Daniel Vorcaro, fruto de especulações, prontamente negadas por Celina Leão, que caem por terra, após PGR ser clara quanto a inexistência de fatos novos, na proposta de delação premiada do ex-presidente do BRB. Informação essa que o marketing da chefe do Executivo deve explorar amplamente para congelar boatos e especulações e reestabelecer o nível de confiança do eleitorado para com a atual mandatária do Palácio do Buriti.
Disputa ao Senado
Por outro lado, essas mesmas mudanças devem impactar positivamente também para Rocha, A ausência de fatos novos indicadas pela PGR, endossa o discurso do ex-governador de ver comprometido a ótima avaliação ao longo de sete anos de mandato em duas gestões com baixa quantidade de escândalos quanto comparada a gestão de governos anteriores. Isso porque o ex-chefe do executivo local foi enfático ao declarar, em 05 de fevereiro desse ano . “O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique”, disse em entrevista à TV Globo.
Outro fator determinante ao retorno de Rocha à disputa ao SF se dá às declarações recentes de Michelle Bolsonaro, na quarta-feira (24/Jun), em que a ex-primeira dama, sem mencionar nomes, acusa os filhos do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL/RJ) de Misoginia além de manifestar, nominalmente, contra Flávio Bolsonaro, para o acusar de ser agressivo com mulheres e de mentir à comunidade evangélica. Acusações essas que se soma ao ‘derretimento’ do postulante à presidência da República, iniciado com a sucessão de escândalos que envolveu o “Zero Um” a Daniel Vorcaro no episódio de direcionamento de aproximadamente R$ 134 milhões para suposto custeio do filme biográfico da vida do pai, ‘Dark Horse‘. Episódio esse em que a madrasta pode tomar lugar do enteado para disputar a vaga contra o atual mandatário do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesse contexto, o ‘Cavalo de Tróia’ de Flávio Bolsonaro, pode ‘liberar’ uma das duas vagas ao Senado Federal, até então cotado, de acordo com as projeções baseadas na pesquisa do Instituto Correio/OPINIÃO de 17 de junho, seriam encabeçadas por Michelle Bolsonaro com 38,8% das intenções de voto: da senadora, Leila do Vôlei (PDT) com 30,2%, da deputada federal, Erika Kokay (PT) 25,0% em empate técnico em que o emedebista figurava a quarta colocação com 22,6%, dado a margem de erro da pesquisa de 3,4 pontos percentuais.
Importante ressalvar que em pesquisas anteriores, Rocha figurava atrás apenas de Michelle Bolsonaro e que, segundo fontes de PDNews, Érika Kokay não deve disputar ao Senado, o que colocaria o ex-governador, novamente com a garantia de uma das duas vagas.
Outras movimentações no cenário
Também é relevante observar em relação a disputa ao Senado, que o cenário eleitoral para o Senado permanece dinâmico que pode reverberar também, o recente anúncio da pré-candidatura do ex-governador do DF, Paulo Octávio (PSD), anunciada na última semana. Bem como a eventual disputa da deputada federal, Bia Kicis (PL/DF), que pleiteia apoio do partido para entrar nessa disputa eleitoral.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











