Por Kleber Karpov
O Governo Federal anunciou, neste mês de fevereiro, novas diretrizes para ampliar o tratamento da fibromialgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme publicação do dia (28/Fev). A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Saúde, busca aumentar a visibilidade da doença e implementar um plano de tratamento multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida de pacientes em todo o Brasil, onde a síndrome atinge entre 2,5% e 5% da população.
A fibromialgia é uma síndrome clínica definida por dores constantes e generalizadas, sem qualquer ligação com lesões ou inflamações. Segundo José Eduardo Martinez, reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, os sintomas frequentemente se manifestam em conjunto.
“É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, disse Martinez em entrevista na última terça-feira (24 de fevereiro).
Estudos revisados pela revista *Rheumatology* e pelo *National Institutes of Health (NIH)* indicam que as mulheres compõem mais de 80% dos casos, principalmente na faixa etária entre 30 e 50 anos. A origem da doença permanece desconhecida, embora investigações apontem para possíveis fatores hormonais e genéticos.
A identificação da síndrome é um desafio, pois não existem exames específicos para confirmá-la. A condição provoca uma disfunção dos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados, resultando em sintomas como fadiga, formigamento, distúrbios do sono e alterações de humor.
“O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”, explicou o reumatologista.
Martinez reforça a importância de um exame físico detalhado para distinguir a fibromialgia de outras condições que causam dor, como a artrose. Ele recomenda que os pacientes procurem um reumatologista ou o atendimento primário em uma Unidade Básica de Saúde para a investigação dos sintomas.
Tratamento estruturado
As novas diretrizes do Ministério da Saúde estabelecem um planejamento estruturado para o tratamento pelo SUS. A cartilha prevê a capacitação de profissionais e uma abordagem multidisciplinar, que engloba fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional para os pacientes.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia destaca que tratamentos não farmacológicos, como a prática constante de atividade física, são tão cruciais quanto as terapias com medicamentos para regular a percepção da dor e fortalecer o corpo.
“Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, completou Martinez.
A ampliação do suporte no SUS complementa a Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025, que passou a reconhecer a fibromialgia como deficiência. A legislação garante aos pacientes direitos como cotas em concursos, isenção de impostos na compra de veículos e acesso a benefícios como aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;












