Por Kleber Karpov
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), detalhou na manhã desta terça-feira (09/Jun) o plano de ocupação do Centro Administrativo, em Taguatinga, que está fechado há 12 anos. O complexo, agora rebatizado de CAD, será ocupado em etapas para gerar uma economia de R$ 1 bilhão em 60 meses com aluguéis e descentralizar o fluxo de trânsito da capital. A mudança ocorrerá sem novos gastos com móveis, com a primeira fase prevista para ser concluída em até 90 dias, iniciando pela Secretaria de Obras.
Ao anunciar a mudança, em junho, a governadora observou haver planejamento para ocupação, na primeira etapa de cerca de 30% do complexo na primeira etapa, estimado para ocorrer em até 90 dias. Dentre as secretarias a serem realocadas foram definidas a de Obras, de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Secretaria de Meio Ambiente, DF Legal, Secretaria de Mobilidade e Casa Civil,. além do gabinete da governadora.
A economia projetada de R$ 1 bilhão em 60 meses, período padrão para contratos de locação, é a principal justificativa financeira para a medida. Atualmente, o GDF gasta aproximadamente R$ 168 milhões por ano com aluguéis. Da estrutra em processo de mudança, segundo Celina Leão deve gerar economia imediata de mais de R$ 140 miilhões.
Descentralização
Além da economia, a governadora argumentou que a ocupação do CAD é uma medida estratégica para a mobilidade urbana, visando reduzir a concentração de veículos que se deslocam diariamente para o Plano Piloto. “O DF é a única capital do Brasil que recebe mais de 70% de fluxo para um lugar só, que é o Plano Piloto. É de suma importância para a descentralização que a mobilidade continue fluindo para que os eixos como Ceilândia, Taguatinga e outras cidades venham a se desenvolver”, afirmou Celina Leão.
Situação jurídica
Questionada sobre a situação jurídica do imóvel, a governadora afirmou que não há impedimentos para a ocupação. O Centro Administrativo estava incluído em uma lei de socorro ao caixa do Banco de Brasília (BRB), mas Leão explicou que o governo busca outra solução jurídica para não utilizar o imóvel como garantia. “O terreno sempre foi do GDF. A lide na Justiça está entre a empresa que fez o CAD e a Caixa Econômica. O Habite-se e o RIT estão liberado. A gente tem 100% de tranquilidade da ocupação”, disse.
Abandono e disputas
A construção do então chamado Centrad começou em 2009, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o GDF e um consórcio formado pela Via Engenharia e Odebrecht. O contrato, com valor previsto de R$ 6 bilhões, tinha duração de 22 anos e previa que o consórcio também seria responsável por serviços de manutenção, segurança e limpeza, recebendo R$ 17 milhões mensais após a inauguração.
O complexo foi simbolicamente inaugurado em 2014, no último dia do mandato do governador Agnelo Queiroz, mas com as obras inacabadas, e nunca foi efetivamente utilizado. Os pagamentos mensais jamais foram realizados, e as empresas construtoras alegam um prejuízo de R$ 1,5 bilhão com a construção.
O projeto esteve envolvido em polêmicas, incluindo uma delação no âmbito da Operação Lava Jato em 2017. Um ex-executivo da Odebrecht revelou que as negociações foram marcadas por “acordos de mercado” e repasses para caixa dois de campanhas eleitorais. Em 2020, a Justiça proibiu o GDF de repassar recursos ao consórcio, e a PPP foi finalmente anulada em 2022.
Desde a anulação do contrato, o GDF assumiu os custos de segurança do local, que se tornou alvo de vandalismo e depredação. A ocupação anunciada por Celina Leão, que também promoveu a mudança do nome para CAD para “virar a página”, representa a mais recente tentativa de dar uma finalidade ao complexo após anos de promessas e impasses.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













