Agentes de Vigilância Ambiental são peças-chave para prevenir dengue

Profissionais usam coletes da Secretaria de Saúde, crachá e prancheta. Permitir a entrada deles nas residências é fundamental para reforçar medidas de prevenção

Por Larissa Lustoza

“Casa 28, é a Secretaria de Saúde”, é assim que a Agente de Vigilância Ambiental (Ava) Maria Cristina Santos costuma se apresentar e não foi diferente na última semana, em frente ao portão da primeira residência que visitou, em Sobradinho. Devidamente identificada com o colete da Secretaria de Saúde (SES-DF), crachá, prancheta e a bolsa com as ferramentas de trabalho, ela foi recebida por Liliane Correia Silva, 45.

Atuando como Ava há 26 anos, Cristina – como é comumente chamada – inicia a inspeção na casa. A profissional averigua os vasos de plantas, ralos descobertos e quaisquer pontos que possam acumular água e, consequentemente, servirem para que as larvas do mosquito Aedes Aegypti se proliferem. Na casa da Liliane, um ralo aberto, ao lado da piscina, apresentou algumas larvas.

“Acabamos de chegar de viagem. Nem lembrava desse ralo”, comentou a moradora. “Acho que essa ação é eficiente e muito importante para nos proteger”, completou.

Em apenas 10 minutos de visita, a agente colheu as larvas, tratou o local e repassou orientações à moradora. “Se em algum momento as larvas voltarem a aparecer, é importante jogar a água fora e passar uma bucha com sabão, porque as larvas muitas vezes grudam na superfície”, explicou a profissional.

Dentro das residências, o agente repassa orientações e, quando necessário, realiza os tratamentos adequados. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde-DF

Além da parte externa, Cristina vistoriou os banheiros e vasos de plantas no interior da casa. É comum que os Avas perguntem sobre quantos banheiros são utilizados, por um motivo muito importante: os que não são usados podem acumular água, principalmente na caixa dos vasos sanitários e nos ralos.

Cuidado diário

Francisco Ferreira Souza, 87, também recebeu a visita da Vigilância Ambiental. Entre galinhas, um papagaio e cachorro, a casa foi vasculhada em busca de focos de larvas do mosquito da dengue, mas nenhum foi encontrado. Cearense e residindo no Distrito Federal há mais de 60 anos, Francisco elogiou a maneira que os Avas realizam as vistorias. “Essa iniciativa que o governo toca é muito boa. Qualquer recomendação que eles nos passam, a gente cumpre e temos toda responsabilidade pelo que encontrarem”, afirmou.

A agente de vigilância reforça que, além do papel dos profissionais, é importante que o próprio morador tenha um olhar atento aos possíveis focos dentro das residências. “O ciclo de vida do mosquito costuma durar por volta de sete a 10 dias. Se, a cada 7 dias, o morador verificar se há focos de larvas e limpar, resolvemos o problema”, disse.

Cearense e residente do Distrito Federal há mais de 60 anos, Francisco elogiou a atividade: “Essa iniciativa que o governo toca é muito boa”. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde-DF

Para Cristina, a atividade realizada há mais de duas décadas é também uma realização pessoal. “Eu amo meu trabalho, porque gosto de conversar e amo minha comunidade”, concluiu.

Papel dos agentes

O papel dos profissionais é prevenir doenças, mapear territórios, realizar levantamentos e executar atividades de vigilância por meio da coleta e pesquisa. Por isso, permitir a entrada é fundamental para que o trabalho de prevenção seja bem realizado. Importante lembrar que o profissional está sempre identificado.

Dentro das residências, o olhar do agente é treinado para buscar os focos e costumam repassar as orientações aos moradores e, quando necessário, realizará tratamentos adequados. Também é responsável pelo manejo apropriado dos depósitos de larvas do mosquito.

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