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04 fev 2026 13:00

Que barulho é esse? Novembro Laranja alerta para zumbidos no ouvido e suas consequências

Problema afeta quase 30 milhões de brasileiros, que geralmente não procuram médico para tratamento. Tecnologia pode detectar causa

O zumbido no ouvido é um problema que afeta 28 milhões de brasileiros e outros 684 milhões ao redor do mundo, segundo estudo publicado na revista médica Jama Neurology e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse montante representa 14% da população adulta mundial, que percebe sons no ouvido ou na cabeça que não vêm de fonte sonora externa. Esse chiado é mais comum com o aumento da idade, sem diferença significativa entre os sexos.

O problema possui até uma data própria: 11 de novembro é o Dia Nacional de Conscientização do Zumbido. Por isso, o mês é conhecido também como Novembro Laranja, para alertar a população sobre a importância da prevenção e do cuidado com a audição. A otorrinolaringologista Adriana Pereira Miguel, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que o zumbido é um barulho que apenas a pessoa escuta, pois não existe no meio externo.

Otorrinolaringologista, Adriana Pereira Miguel revela existência de mais de 250 causas para o zumbido – Foto: Arquivo Pessoal

“Ele pode ser escutado pelo paciente de várias formas, como se fosse uma batida de asas de borboleta, uma cigarra, uma abelha, uma cachoeira, chuva, chuvisco, batida de coração, panela de pressão. O zumbido pode ser de várias intensidades e frequências, então é muito importante sempre perguntar para o paciente com o que o barulho do ouvido dele se parece, exemplificar vários tipos. Dependendo do tipo de zumbido que ele tem, às vezes, a gente já consegue detectar a causa”, destaca Adriana.

A especialista revela que existem mais de 250 causas para o zumbido, por isso é importante ir ao médico. “Pode ser por um problema no canal auditivo, na membrana timpânica, problema de audição. Pode ser algo na cabeça, pois está tudo certo dentro do ouvido, mas no sistema nervoso central a informação não tá chegando direito. Pode ser um problema de circulação e alguns medicamentos podem causar isso também”, exemplifica a médica.

Prevenção e tratamento

Adriana Pereira Miguel salienta que ao cuidar para se ter uma boa audição, também se previne o zumbido. “Ter uma boa qualidade de vida, fazer atividade física para ter uma boa circulação, evitar doenças coronárias, vasculares, que podem levar ao zumbido mais tardiamente. Prevenir perda de audição, evitando som alto. O mau uso do fone de ouvido, quando o coloca em altura máxima, pode danificar o ouvido e levar ao zumbido. Prestar atenção nos medicamentos utilizados, não usar sem prescrição médica. Prevenir o zumbido seria prevenir as 250 causas que podem levar a ele”, ressalta.

O tratamento do problema vai de acordo com a sua origem. “Para tratar o zumbido a gente precisa saber a causa, então pode ser medicamentoso, cirúrgico, pode ser o uso de um aparelho auditivo e existem também as terapias auditivas para zumbido, com gerador de ruídos para poder minimizar e pra poder até curar em alguns casos”, diz a médica que atende no Órion Complex, lembrando que o zumbido não é uma doença, mas um sintoma silencioso, pois muitas vezes a pessoa não se queixa.

Adriana destaca que o problema leva a perda da qualidade de vida das pessoas. “O paciente fica extremamente ansioso, chateado, angustiado, porque o zumbido atormenta, atrapalha a qualidade do sono, atrapalha no trabalho, deixa o paciente às vezes com dificuldade de compreender alguns outros sons. É um quadro clínico que o paciente sofre muito, mas que ninguém vê que ele está sofrendo”.

Por tudo isso, a otorrinolaringologista ressalta a importância do Novembro Laranja. “É necessário mostrar para as pessoas que elas não estão sozinhas, que existem outras com zumbido. Até um tempo atrás, falava-se que não tinha o que fazer com o zumbido. Hoje em dia, com a tecnologia, surgiram muitas terapias, muitas formas para gente minimizar e às vezes até mesmo acabar com o problema. É olhar para o paciente que tem o zumbido e dar uma atenção para ele, porque é prejudicial para o paciente, para o social dele, para o trabalho dele”, conclui Adriana Miguel.



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