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04 fev 2026 13:00

Por desabastecimento nacional, Saúde do DF substitui medicamento para tratamento de pacientes com covid-19

Mudança não altera o tratamento e garante a continuidade da assistência àqueles acometidos pelo coronavírus

Em tempos de covid-19, aumentou bastante a demanda por vários tipos de medicamentos usados para tratamento da doença. Não diferente do restante do país, a rede pública de saúde do DF tem sofrido com a escassez do medicamento enoxaparina – utilizado no tratamento de pacientes internados e atendidos ambulatorialmente com o novo coronavírus.

Para garantir a assistência a quem precisa do medicamento, a Secretaria de Saúde elaborou uma nota técnica de orientação para utilização de anticoagulantes em pacientes e introduziu mais um medicamento para dar suporte ao tratamento: O fondaparinux. Assim como a enoxaparina, o fondaparinux é um medicamento anticoagulante, que age na prevenção da trombose venosa em pacientes com risco de complicações tromboembólicas pela restrição da mobilidade.

“A fondaparinux tem eficiência equivalente à enoxaparina, sendo que é a alternativa de escolha diante de complicação frequente da segunda (plaquetopenia induzida pela heparina). Além disso, possui o mesmo perfil de efeitos colaterais, via de administração, segurança (excetuando-se os grupos de pacientes citados abaixo) e até maior comodidade quanto à posologia, uma vez que a anticoagulação plena é feita com dose única diária”, explica o médico hematologista e referência técnica distrital em hematologia, Marcelo Jorge Carneiro de Freitas.

Pacientes infectados com o novo coronavírus podem evoluir para a forma mais grave da doença e desenvolver síndrome respiratória aguda com falência respiratória, choque séptico e ou falência múltipla de órgãos. Também existe o risco de quem está internado desenvolver trombose (venosa ou arterial), devido à reação inflamatória intensa.

Estudos revelam que a inflamação induz a coagulação, que por sua vez acentua o processo inflamatório. A nota técnica feita pela Secretaria destaca alguns critérios que devem ser seguidos na administração dos dois medicamentos. A substituição da enoxaparina pelo fondaparinux não deve ser feita em casos específicos, em que não seja aconselhada a troca. Os casos mais comuns são:

– Pacientes com insuficiência renal;
– Grávidas e no pós-parto, internadas.

O uso da enoxaparina é indicado nos casos informados acima.

Troca de receita

Para pacientes que necessitam fazer uso domiciliar de anticoagulantes, a indicação da Secretaria de Saúde é que seja feita a troca de receitas pelo medicamento fondaparinux, para não causar prejuízo no atendimento aos pacientes que se encontram internados na rede hospitalar do DF, onde são utilizados os dois tipos dos medicamentos.

Essa troca deve ser consultada diretamente com o médico que assiste o paciente. A pasta ressalta que a substituição não traz prejuízo ao tratamento.

Pacientes com histórico de AVC e gestantes de alto risco continuam retirando a enoxaparina nas policlínicas de Planaltina e Taguatinga e na farmácia do Hospital de Base.

Critérios para uso da enoxaparina – Paciente em estratificação de risco trombótico (alto risco >= 4 pontos):

– Câncer avo (exceto cutâneos localizados): +3 pontos
– TVP previa: +3 pontos
– Redução de mobilidade ( >50% do período de vigília acamado): +3 pontos
– Trombofilia: +3 pontos
– Cirurgia ou trauma há 1 mês (com comprometimento da mobilidade): +2 pontos
– Idade >= 70 anos: +1 ponto
– ICC ou DPOC: +1 ponto
– IAM ou AVC recente (1 mês): +1 ponto
– Infecção aguda e/ou doença reumatológica: +1 ponto
– Obesidade (IMC >= 30kg/m2): +1 ponto
– Contraceptivo, reposição ou terapia de reposição hormonal: +1 ponto

Fonte: Adaptado – Padua Predicon Score

 

 

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