Por Kleber Karpov
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou em suas redes sociais, na última quinta-feira (3/Set), um laudo forjado da Polícia Federal (PF), para rebater acusações de irregularidades em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. A autenticidade do documento, que continha indícios de ter sido criado com inteligência artificial, foi negada por peritos da Polícia Federal. O Parlamentar, que declara ser formado em Direito, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), admitiu ao Metrópoles ter compartilhado a postagem, que saiu do ar após o perfil original apargar o conteúdo postado. a apagar a postagem e a se expor a possíveis consequências criminais e políticas.
A análise do arquivo divulgado pelo congressista revelou graves divergências em comparação aos registros oficiais. Agências de checagem, como o Aos Fatos e o Estadão Verifica, detectaram no material marcas d’água digitais associadas a ferramentas da companhia OpenAI, sugerindo a manipulação tecnológica.
Entre as inconsistências, o documento falso apresentava a data de elaboração como 18 de novembro de 2025. Contudo, o relatório autêntico da PF, tornado público pelo Supremo Tribunal Federal, foi datado de 27 de agosto de 2026. A peça adulterada também fazia referência a páginas que não continham nenhuma menção aos diálogos sob investigação.

Diálogos com Vorcaro
A controvérsia teve início após a divulgação de mensagens autênticas pelo portal ICL Notícias (3/Set). O material expôs conversas ocorridas em março de 2025 entre o deputado e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos registros de áudio e texto, o Ferreira utiliza um apelido informal de “Dani” para se referir a Vorcaro e solicita auxílio para viabilizar a liberação de um ativo do setor de mineração. Após a matéria jornalística ganhar destaque, o deputado gravou um vídeo no qual negou ter recebido recursos financeiros ou cometido qualquer ato ilícito.
Implicações penais
Ao justificar a publicação do conteúdo fraudulento à imprensa, Ferreira atribuiu a postagem original a um terceiro perfil. “Um perfil, Space Liberdade postou e eu tinha compartilhado. Assim que ele deletou a minha postagem também sumiu, entendeu?”, declarou ao Metrópoles.
No entanto, especialistas indicam que a divulgação da peça falsificada pode acarretar sérias consequências para ao parlamentar. E, o fato de o deputado possuir formação jurídica torna mais difícil sustentar a alegação de desconhecimento sobre a natureza de documentos oficiais. “O senhor Nikolas Ferreira, na condição de deputado federal, se de fato tem formação em Direito, se não agiu de má fé, foi no mínimo displiciente, ao publicar um documento associado a um ente público, alegando a própria inocência”, disse um advogado, sob sigilo de identidade, ao PDNews.
De acordo com o operador do Direiot, na esfera criminal, a conduta do deputado pode ser enquadrada como uso de documento falso, conforme o artigo 304 combinado com o artigo 297 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos. “Há também a possibilidade de uma acusação subsidiária pelo uso indevido de símbolos da corporação policial, crime previsto no artigo 296.”, explicou o advogado.
Notícia de fato
Na mesma linha, o deputado federal, Rogério Correia (PT/MG), é categórico ao afirmar “Nicolas Ferreira pode ser preso”, ao informar ter apresentado Notícia de Fato (3/Set), à PF, para apurar a conduta de Ferreira. ” Nós vamos ver o grau de responsabilidade de quem falsificou, se foi encomendado por (0:26) quem e por que o deputado compartilhou sabidamente um laudo falso. E tudo isso ele fez porque está encalacrado com o Vorcaro. “, disse Correia.
O petista informaou ainda que o pedido realizado por Ferreira, a Vorcaro em benefício de assessor direto, resultou em fechamento contratual estimado entre US$ 30 a US$ 40 milhões. “Ele [Ferreira] pediu ao Vorcaro que desse um ativo minerário a um seu amigo, a um seu assessor, que no final das contas assinou nada mais nada menos do que um contrato de 30 a 45 milhões de dólares. E este contrato foi assinado, inclusive, com minerações ilegais na Serra do Curral em Belo Horizonte. Olha o tamanho do crime e da encrenca que ele se colocou. Ou seja, comete um primeiro crime ao pedir ao banqueiro algo ilegal e depois, apertado com o crime, comete outro e compartilha um laudo falso da Polícia Federal. O Nicolas está muito encrencado e esse caso não pode ser esquecido.”, concluiu Correia.
Ministério Público Eleitoral
Também o deputado federal Reimont (PT-RJ) acionou, nesta sexta-feira (4/Set) o Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Ferreira pela divulgação de documento falso, além de requerer a intervenção do MP junto a PF para abertura de investigação para identificar a “origem do documento, das circunstâncias de sua elaboração, da cadeia de sua disseminação, da eventual atuação coordenada para sua divulgação e da responsabilidade”.
Imunidade parlamentar…
Ainda de acordom com o advogado, “no âmbito político, o ato pode ser considerado quebra de decoro parlamentar, com base no artigo 55 da Constituição, o que abre caminho para um processo de cassação do mandato. Uma eventual condenação criminal por crime contra a fé pública também poderia resultar na inelegibilidade do deputado por oito anos, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.”. concluiu ao observar que no caso em questão, Ferreira não conta com respaldo da imunidade parlamentar.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













