Por Kleber Karpov
O Ministério da Saúde apresentou, na quinta-feira (3/Set), a Central de Comando das UTIs Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), uma estrutura que permite o monitoramento em tempo real dos sinais vitais de pacientes internados em seis hospitais brasileiros que já operam com a tecnologia. Instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), a sala funcionará 24 horas por dia e tem como propósito gerar evidências científicas para orientar a expansão de protocolos clínicos e agilizar o atendimento.
De acordo como ministro da Saúde, Alenadre Padilha, o SUS inaugura um período de integração real da inteligência artificial na gestão da Saúde pública. “Estamos falando de inteligência artificial real em uso no SUS, não de ficção científica. É a tecnologia aplicada na prática para cuidar das pessoas, tendo a estrutura do sistema público como base e ampliando o acesso a um cuidado mais qualificado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Como funciona a central de monitoramento
A central é composta por seis telas de grande porte, interligadas às Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Inteligentes localizadas em Manaus (AM), Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Atualmente, o SUS dispõe de 60 leitos inteligentes ativos, capazes de enviar informações como frequência cardíaca, níveis de oxigênio e pressão arterial em tempo real. A proposta é que a chamada medicina preditiva permita um acompanhamento mais preciso e qualificado dos pacientes.
Com o aprimoramento do cuidado, a expectativa é reduzir complicações clínicas e o tempo de internação, aumentando a rotatividade dos leitos e o acesso aos serviços do SUS. A iniciativa integra a Rede Nacional de Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão e contará com o apoio técnico e operacional do HC-FMUSP e da Organização Social vencedora do edital publicado no Diário Oficial da União (DOU) na mesma data.
As UTIs Inteligentes representam a primeira fase da implementação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão no SUS. O objetivo é promover a transformação digital hospitalar, com conectividade, interoperabilidade, uso de inteligência artificial e monitoramento contínuo para qualificar o atendimento.
Expansão da rede
De acordo com o ministério, serão instalados monitores multiparâmetros e centrais de monitoramento para criar a infraestrutura inicial de conectividade dos leitos. Numa etapa seguinte, o projeto será ampliado com a incorporação de respiradores pulmonares e camas inteligentes. A meta é alcançar 280 leitos inteligentes distribuídos em 14 instituições de saúde em todo o país.
A rede também prevê o SAMU Inteligente, que busca integrar o atendimento pré-hospitalar, as Centrais de Regulação e os hospitais. O serviço já opera em três bases estratégicas: Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE). Além disso, estão previstas a implantação do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP e a modernização de hospitais de excelência do SUS. “Com o novo serviço, em vez de o profissional do SAMU ter que ligar para o hospital a cada 3 minutos para informar o status do paciente, os dados já serão transmitidos em tempo real para a unidade de emergência. Na urgência e emergência, tempo é vida”, destacou Padilha.
Organização Social selecionada para gestão
Durante a visita à central, o ministro anunciou a seleção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) como Organização Social (OS) responsável pela gestão do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP, que será construído em São Paulo. A escolha ocorreu após o Chamamento Público 14/2026, conduzido por um comitê técnico que avaliou os critérios estabelecidos. A entidade obteve a maior pontuação no processo.
Investimento em equipamento de radioterapia
Ainda no HC-FMUSP, Padilha visitou o novo acelerador linear do Instituto de Radiologia, modelo Elekta Versa HD, considerado um dos mais modernos e precisos do mundo. O equipamento recebeu investimento de R$ 8,5 milhões do Ministério da Saúde e permite maior precisão na aplicação da radiação, direcionando a dose ao tumor e protegendo tecidos e órgãos sadios. A previsão é realizar pelo menos 60 procedimentos por mês, o que equivale a 720 por ano.













