Por Kleber Karpov
A psicóloga empresarial Simone Arruda aponta a saúde mental dos líderes como fator crucial para a produtividade e o bem-estar no ambiente de trabalho, uma questão que ganha relevância com a inclusão de riscos psicossociais na Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01). Em vigor desde 2025 e com fiscalização intensificada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a norma posiciona a liderança como agente central para uma cultura corporativa saudável.

Com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento humano, Simone Arruda defende que a capacidade dos gestores de sustentar suas responsabilidades é fundamental. Para ela, a aplicação prática das políticas de uma empresa depende diretamente de quem as conduz, influenciando o ambiente e a segurança dos colaboradores.
“A política de reconhecimento pode ser aplicada com justiça por um gestor e de forma desigual por outro. A mudança organizacional pode ser comunicada com transparência ou gerar insegurança, dependendo de quem conduz. A liderança não substitui a estrutura, ela é o que determina se a estrutura funciona, ou não, na prática”, afirma a psicóloga.
Arruda tem focado seus estudos em líderes e empresários, um grupo que, segundo ela, é muito cobrado, mas pouco assistido em suas próprias necessidades de saúde mental. A especialista alerta que negligenciar o bem-estar dos gestores pode comprometer a integridade e a eficiência de toda a equipe.
“Muito se fala do papel do líder na saúde mental da equipe, mas, por outro lado, quase nunca se fala de como está a saúde mental do líder. Existe uma imagem que se espera que ele sustente: a de alguém forte, seguro, que tem resposta pra tudo. Um líder não pode chegar numa reunião e dizer que está inseguro sobre uma decisão. Não pode admitir que está com dúvida, com medo, sem saber o próximo passo pois, para muitos, isso pode ser lido como fraqueza e falta de competência quando, na verdade, é só a parte humana aparecendo”, explica.
Desafios da gestão moderna
O trabalho de Simone Arruda consiste em preparar líderes para as novas realidades do mercado, que exigem habilidades para tomar decisões sob pressão, lidar com a saúde mental das equipes e, simultaneamente, cuidar do próprio bem-estar para não adoecer no cargo. Esse desenvolvimento fortalece a gestão e ajuda as empresas a atenderem às exigências sobre riscos psicossociais.
“O líder de hoje precisa estar preparado para lidar com situações para as quais a maioria nunca recebeu treinamento. Como agir quando um colaborador demonstra sinais de sofrimento? Como conduzir uma conversa difícil? Como acolher sem assumir o papel de terapeuta? Como continuar liderando sob pressão sem chegar ao esgotamento? É isso que precisamos desenvolver. Não basta cuidar da saúde mental da equipe se quem lidera já perdeu a própria capacidade de conduzir”, conclui Simone Arruda.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.










