Por Kleber Karpov
A azia, sensação de queimação que atinge o peito ou a garganta, pode ser mais do que um simples desconforto passageiro quando se torna frequente, interferindo na rotina e no sono. Segundo o clínico geral e gastroenterologista Álvaro Modesto, do Hospital Cidade do Sol (HSol), episódios recorrentes exigem avaliação médica, pois podem indicar desde a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) até problemas cardíacos que demandam atenção especializada.
Além da frequência, a presença de outros sintomas associados à queimação serve como um importante sinal de alerta. Dificuldade ou dor para engolir, sensação de alimento parado, perda de peso sem motivo aparente, vômitos persistentes, sangue no vômito ou fezes muito escuras são indicativos de que uma investigação médica é necessária.
O especialista adverte que a queimação no peito não deve ser automaticamente ligada a problemas digestivos. Quando o sintoma vem acompanhado de falta de ar, suor frio, náuseas, tontura ou dor que se espalha para o braço, costas ou mandíbula, a causa pode ser cardíaca, sendo crucial buscar atendimento de urgência.
“Algumas doenças cardíacas também podem causar desconforto ou queimação no peito. Por isso, o sintoma não deve ser automaticamente atribuído à azia, especialmente quando aparece acompanhado de outros sinais”, esclarece Modesto ao observar que “Um sintoma frequente não deve ser simplesmente incorporado à rotina. Conviver com azia recorrente ou depender constantemente de medicamentos são sinais de que vale a pena procurar avaliação”, concluiu.
Automedicação contínua
Muitas pessoas recorrem a antiácidos de venda livre para aliviar a azia, mas o uso contínuo e sem orientação profissional pode ser perigoso. Segundo o gastroenterologista, essa prática pode mascarar doenças mais graves, atrasando o diagnóstico correto e aumentando o risco de efeitos adversos e interações medicamentosas.
A experiência de Fernando Campos, 56 anos, reforça a necessidade de um acompanhamento adequado. Ele destaca que a combinação de tratamento e mudança de hábitos foi essencial para sua recuperação. “Precisei recorrer a medicamentos e percebi uma melhora gradual na qualidade de vida. Hoje, consigo controlar melhor os sintomas ao equilibrar a alimentação”, relata.
Controle dos sintomas
O controle da azia recorrente frequentemente envolve ajustes no estilo de vida. Medidas simples como evitar refeições muito grandes, não se deitar logo após comer e manter um intervalo de algumas horas entre o jantar e o sono podem reduzir significativamente os episódios de refluxo.
Identificar e evitar alimentos e bebidas que desencadeiam o desconforto é outra estratégia importante. Além disso, reduzir o consumo de álcool e alimentos gordurosos, parar de fumar e controlar o peso corporal são ações que contribuem para a melhora geral do quadro clínico.
“Na maioria das vezes, é possível controlar os sintomas com mudanças de hábitos e, quando necessário, tratamento medicamentoso. A avaliação permite identificar a causa, prevenir complicações e garantir um cuidado seguro”, conclui Modesto.
A recomendação para quem sofre com azia recorrente é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Em casos de sintomas que sugiram problemas cardíacos, o atendimento de emergência deve ser buscado imediatamente.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.










