Por Kleber Karpov
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) concluíram em um estudo, publicado em (28/Mai), que portadores da doença de Chagas submetidos a cirurgias cardíacas enfrentam um risco de morte 2,4 vezes superior ao de pacientes com outras cardiopatias. A análise, que revisou 378 procedimentos realizados no Hospital das Clínicas entre 2011 e 2020, apontou que a mortalidade geral de 36% neste grupo está ligada à maior complexidade técnica das intervenções e não diretamente às arritmias tratadas.
O aumento do risco, segundo os pesquisadores, não decorre das arritmias em si, mas de fatores não cardíacos associados à complexidade da cirurgia de ablação por cateter. Este procedimento, que visa corrigir arritmias graves por meio da cauterização de lesões no coração, torna-se significativamente mais arriscado em pacientes chagásicos devido à localização das lesões.
O estudo detalha que quase 80% das cirurgias em pacientes com Chagas exigem acesso à camada externa do coração, uma abordagem mais invasiva e de difícil execução. Em comparação, apenas 15% dos portadores de cardiopatia isquêmica necessitam desse tipo de intervenção. A maior complexidade eleva consideravelmente as chances de complicações operatórias e de instabilidade clínica no pós-operatório.
A necessidade de protocolos específicos
A equipe de pesquisadores destacou a importância de um acompanhamento rigoroso da insuficiência cardíaca e de outras comorbidades após a alta hospitalar, sugerindo a necessidade de protocolos de cuidado específicos para essa população de pacientes.
“O estudo reflete que é necessário melhorar o cuidado em saúde do paciente com doença de Chagas de uma forma geral, considerando que a grande maioria dessa população é atendida no Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores do estudo e doutorando em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP.
Limitações do estudo e panorama da doença
A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, reconhece algumas limitações. Entre elas estão a impossibilidade de garantir fidelidade estatística em associações modestas e restrições orçamentárias que impediram a realização de certos exames, como o mapeamento eletroanatômico, em todos os participantes.
O acompanhamento da rotina de medicamentos e a variação nos protocolos pós-cirúrgicos também foram apontados como fatores limitantes. O estudo pondera que, embora a retenção de pacientes tenha sido alta, a duração variável do acompanhamento pode subestimar a detecção de eventos tardios, especialmente em pacientes de regiões remotas com barreiras socioeconômicas.
A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, ainda afeta cerca de 7 milhões de pessoas no mundo, com estimativas de 100 milhões vivendo em áreas de risco. A infecção crônica sobrecarrega órgãos como o coração e os intestinos, e menos de 10% dos infectados recebem um diagnóstico formal.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











