Pesquisa indica segurança de vacina da herpes-zóster para pacientes reumáticos ou com lúpus

Pesquisa da USP mostra que imunizante não agrava doenças pré-existentes como lúpus e artrite reumatoide

Por Flávia Albuquerque

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), divulgaram nesta quarta-feira (17/Mar), um estudo inédito que revelou a segurança da vacina contra herpes-zóster, para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide e lúpus. A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet Rheumatology, acompanhou 1.192 pacientes e demonstrou que o imunizante não aumenta o risco de agravamento das condições pré-existentes, mesmo em indivíduos com doença ativa ou em tratamento com imunossupressores.

O estudo é considerado o maior do mundo a avaliar sistematicamente a segurança e a resposta imune da vacina neste grupo de pacientes, cujo sistema imunológico já se encontra fragilizado. Segundo os pesquisadores, cerca de 90% dos participantes desenvolveram anticorpos adequados após a aplicação das duas doses recomendadas.

Eloisa Bonfá, titular de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica da FMUSP e responsável pela pesquisa, destacou a relevância dos achados para a segurança clínica dos pacientes.

“a pesquisa é a maior do mundo a avaliar, de forma sistemática, a segurança e a capacidade da vacina de estimular as defesas do corpo nesses pacientes, que já tem o sistema imunológico fragilizado por causa das doenças reumáticas autoimunes”, disse Eloisa Bonfá.

A análise dos dados mostrou que a taxa de piora da doença reumática no grupo vacinado foi de 14%, um valor estatisticamente equivalente aos 15% observados no grupo que recebeu placebo. “Trinta porcento dos nossos pacientes estavam com a doença em atividade, tomaram a vacina e não tiveram piora, mostrando que ela é altamente segura para essa população”, afirmou a médica. Adicionalmente, os pacientes com DRAI relataram menos eventos adversos, como dor local e febre, em comparação ao grupo de controle composto por pessoas saudáveis.

Eficácia e recomendações

A pesquisa incluiu pacientes com nove diagnósticos diferentes, com prevalência de artrite reumatoide e lúpus, além de patologias mais raras como esclerodermia e espondilartrite. No entanto, foi observada uma resposta imune menor em pacientes que utilizam medicamentos específicos, como o rituximabe e o micofenolato de mofetila. “Esses não responderam bem, então é preciso fazer uma análise separada, talvez tomar uma dose a mais, fazer algum reforço”, ponderou Bonfá.

A especialista ressaltou que a vacina recombinante já está disponível no mercado e é recomendada para pessoas acima de 50 anos, faixa etária em que o risco de desenvolver herpes-zóster aumenta significativamente. A prevenção é crucial, pois a infecção em pacientes reumáticos pode levar a complicações graves. “É uma vacina muito boa, porque quando há infecção nos pacientes com doenças reumáticas o custo é muito alto para o sistema de saúde, já que eles precisam ser internados. A vacina evita essa complicação que pode levar até a morte”, concluiu.

O que é a herpes-zóster

Conhecida popularmente como cobreiro, a herpes-zóster é causada pela reativação do vírus Varicela-Zóster (VVZ), o mesmo agente da catapora, que permanece latente no organismo. A reativação ocorre geralmente na idade adulta ou em indivíduos com sistema imunológico comprometido. Os sintomas incluem dor intensa, formigamento, lesões com bolhas na pele, febre e mal-estar. O tratamento deve ser iniciado com antivirais nas primeiras 72 horas.

As complicações da doença podem ser severas e incluem:

  • Dor crônica que persiste por meses ou anos após a cicatrização das feridas;
  • Afetar o equilíbrio, fala, deglutição e movimentos;
  • Queda na quantidade de plaquetas no sangue;
  • Síndrome de Reye, uma inflamação cerebral rara e potencialmente fatal;
  • Varicela disseminada ou hemorrágica em imunocomprometidos;
  • Infecções bacterianas secundárias que podem evoluir para quadros sistêmicos de sepse.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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