Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou, nesta quarta-feira (22/Abr), a decisão da Polícia Federal (PF) de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília. A medida foi uma aplicação do princípio da reciprocidade, motivada pela determinação do governo norte-americano para que um delegado da PF, envolvido na prisão do ex-deputado foragido Alexandre Ramagem, deixasse o país. O anúncio foi feito por Lula em um vídeo ao lado do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Crise diplomática e o caso Ramagem
A tensão entre os governos teve início na segunda-feira (20 de abril), quando o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos solicitou a saída do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano. A ação foi uma resposta à participação do oficial brasileiro na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, ocorrida na Flórida.
Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), havia sido condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um processo sobre uma trama golpista. Após a condenação, que resultou na perda de seu mandato, ele fugiu do Brasil para os Estados Unidos, tornando-se foragido da Justiça.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública já havia formalizado um pedido de extradição de Ramagem em dezembro de 2025. A prisão do ex-deputado na cidade de Orlando foi, segundo a Polícia Federal, resultado de uma cooperação internacional entre os dois países. Ele foi detido por crimes como organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado.
Ministério das Relações Exteriores
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que comunicou a embaixada norte-americana na terça-feira (21 de abril) sobre a aplicação da reciprocidade. O Itamaraty classificou a decisão dos EUA contra o delegado brasileiro como “sumária”, afirmando que ela “não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”.
A chancelaria brasileira destacou que a atitude do governo norte-americano desrespeita o acordo bilateral de cooperação policial e a “boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas”. Segundo o MRE, o delegado brasileiro “atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança”.
O presidente Lula reforçou a posição do Itamaraty. “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse o presidente em vídeo divulgado em suas redes sociais.
Reforço na segurança
Durante o mesmo pronunciamento, o presidente anunciou a contratação de 1 mil novos agentes para a Polícia Federal. O objetivo, segundo Lula, é reforçar a atuação da corporação em portos, aeroportos e regiões de fronteira, como parte do compromisso do governo federal no combate ao crime organizado.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.












