Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV nesta quinta-feira (30/Abr), que o programa Novo Desenrola Brasil será lançado na próxima segunda-feira. A iniciativa de renegociação de dívidas permitirá o uso de até 20% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos, oferecerá descontos de até 90% e, como contrapartida, bloqueará por um ano o acesso de participantes a plataformas de apostas online. No mesmo discurso pelo Dia do Trabalhador, Lula defendeu o projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.
O programa é uma reformulação da política anterior de renegociação e tem como principal objetivo aliviar o orçamento das famílias brasileiras, especialmente aquelas com dívidas de alto custo, como as de cartão de crédito e cheque especial. O governo projeta que a liberação de recursos do FGTS para o pagamento de débitos terá um impacto relevante na economia.
Uma das novas regras anunciadas é a restrição a plataformas de apostas online, conhecidas como bets. Quem aderir ao programa de renegociação ficará impedido de utilizar esses serviços por um período de um ano. O presidente justificou a medida como uma forma de proteger as famílias do endividamento causado por jogos.
“Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos. Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, disse o presidente.
Fim da escala 6×1 na pauta trabalhista
Lula também classificou como um “passo histórico” para o país a proposta que visa o fim da escala de trabalho 6×1. O projeto, que já foi enviado para análise do Congresso Nacional, prevê a redução da jornada semanal para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem que haja redução salarial.
Segundo o presidente, a medida busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores ao ampliar o tempo de descanso e convivência familiar. Ele comparou a resistência à mudança com a oposição histórica a outras conquistas trabalhistas, como o salário mínimo e o 13º salário.
“A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores”, afirmou Lula.
“Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1 no Brasil”, complementou.
Outros temas abordados
Durante o pronunciamento, o presidente também mencionou outros temas da agenda governamental, como as taxas reduzidas de desemprego e de inflação, a ampliação da licença paternidade e mudanças no imposto de renda. Ele citou ainda o auxílio para a compra de gás de cozinha como uma das ações de apoio social.
Lula destacou que, apesar dos conflitos no Oriente Médio, as ações do governo têm conseguido impedir que a população sofra os efeitos diretos do aumento global do preço do petróleo. A estratégia, segundo ele, foi fundamental para controlar o custo de vida no país.
“Quando os combustíveis sobem, o custo do transporte cresce, o preço dos alimentos aumenta e o custo de vida fica mais caro para o povo. Mas o nosso governo agiu rapidamente. Com muito esforço, tiramos os impostos dos combustíveis, tomamos uma série de medidas urgentes para conter o aumento dos preços, garantir o abastecimento e aliviar o peso da guerra sobre as famílias brasileiras”, disse Lula.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










